
Brasília Começa na terça-feira o novo round da primeira luta entre o governo federal e a oposição no segundo mandato do presidente Lula. Batalha de bastidores, a CPI do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados passou dois meses na geladeira, ganhou uma irmã gêmea no Senado e tenta livrar-se do rótulo de "chapa-branca". Entre os 24 membros titulares, indicados para os postos na semana passada, três parlamentares paranaenses refletem como será o tom da investigação.
Dois deles são governistas, André Vargas (PT) e Nélson Meurer (PP), e um é de oposição, Gustavo Fruet (PSDB). A proporção é a mesma do restante da comissão, de dois aliados do Palácio do Planalto para cada oposicionista. O trio, assim como os demais colegas, foi escolhido a dedo.
Meurer e Fruet são velhos conhecidos da CPI dos Correios, que levou à tona o escândalo do mensalão, há dois anos. Os dois, porém, tiveram comportamentos opostos durante as investigações. Enquanto o primeiro permaneceu calado a maior parte do tempo, o tucano aproveitou o papel de subrelator para ganhar prestígio entre a "bancada ética" do Congresso e tentar a presidência da Câmara, em fevereiro.
Meurer, antigo escudeiro do ex-deputado José Janene (um dos principais citados no mensalão), promete que não irá mudar a postura. E alfineta os colegas que usam o espaço de uma CPI para aparecer sem citar nomes. "Você não acompanhou? Então viu quem estava louco para aparecer na televisão, não precisa sair da minha boca", diz.
Fruet participa de uma CPI pela quarta vez e é tido como o mais experiente entre os 24 titulares. Em 2001, chegou a presidir as investigações sobre o Proer, programa do governo Fernando Henrique Cardoso que distribuiu cerca de R$ 50 bilhões para saneamento de bancos.
No caso de um acordo entre oposição e governo, era ele o nome do PSDB para a relatoria da CPI do Apagão Aéreo. Apesar disso, relutou em ser indicado. Queria evitar o desgaste e uma nova superexposição na mídia o que já começou.
Durante a instalação da comissão, na última quinta-feira, foi o mais procurado pelos jornalistas para falar em nome da oposição. Deixou em segundo plano o autor do requerimento para as investigações, o colega de partido Vanderlei Macriss.
No último posto ocupado por paranaenses, a indicação de André Vargas resume bem o que foi a preocupação do PT na formação da comissão. Todos os nomes passaram pelo crivo do Palácio do Planalto e alguns teriam sido sugeridos pessoalmente pelo ministro de Relações Institucionais Walfrido Mares Guia. Apesar de estar no primeiro mandato, o paranaense é considerado influente e fiel ao governo.
A influência viria da proximidade com o ministro Paulo Bernardo, que também foi deputado federal e é membro forte do conselho político de Lula. Ambos são representantes de Londrina e Vargas é apontado como o herdeiro dos contatos do colega na Câmara. E essa será a primeira grande chance de despontar no cenário nacional e ganhar prestígio para concorrer à prefeitura londrinense no ano que vem.
No discurso, o petista já demonstrou que está afinado com o roteiro do planalto. "Não podemos deixar a oposição reviver o clima da CPI do Fim do Mundo (CPI dos Bingos), que não apontou nada do que a Polícia Federal encontrou nas últimas semanas", defende Vargas.



