
O Projeto de Levantamento da Fauna do Parque Arthur Thomas, em Londrina, no Norte do estado, colheu provas e indícios de que pelo menos quatro animais classificados como vulneráveis ou incluídos em listas de risco de extinção, como da World Conservation Union (IUCN), sobrevivem no local. Os animais pesquisados são o gato-do-mato pequeno, a lontra, a paca e um puma. O projeto é uma parceria entre a organização não-governamental Meio Ambiente Equilibrado (MAE) e a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema).
É a primeira vez desde que abriu ao público, em 1971, que a fauna de médio porte do parque é estudada. Em 10 meses de estudo, os biólogos da Ong e estagiários da Sema obtiveram registros de que animais sensíveis à influência humana que se desconfiava não existirem mais no Arthur Thomas transitam e permanecem no parque.
Os ambientalistas registraram pegadas em 12 "armadilhas" de plots de areia, espalhados pela área do Parque, para onde os animais eram atraídos por iscas como bacon ou pasta de amendoim. Também obtiveram registros visuais de animais em observação no campo, além de análise de excrementos.
Conforme o biólogo da ONG, Eduardo Panachão, os animais ameaçados não vivem diretamente no parque, mas nas áreas anexas e próximas à Fazenda Refúgio. "A área do parque por si só é muito pequena para a quantidade de animais que vivem lá. Se não fossem as áreas anexadas estas espécies estariam fadadas a desaparecer do local."
Ele destacou que as pesquisas concluíram que os animais mais sensíveis vivem nas regiões onde há menos influência humana, mas onde há caçadores. "Há caça em áreas que deveriam ser totalmente preservadas. A maior preocupação é com a população de pacas, vistas como prêmios para os caçadores". Além da caça, a presença de "jipeiros" na Fazenda Refúgio também prejudica a região.
O objetivo da Sema e da Ong MAG é anexar a área da Fazenda Refúgio ao Parque Arthur Thomas. "A união das áreas formaria um corredor ecológico (por meio das matas ciliares) que parte do Arthur Thomas, passa pelo Parque Daissaku Ikeda e vai até o Rio Tibagi", explica o biólogo da Mae.



