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fumo

Bitucas causam dano ambiental

Tocos de cigarro jogados nas ruas e nas praias criam sedimento tóxico e podem poluir tanto quanto o esgoto comum, de acordo com estudo paulista

Tocos de cigarro deixados nas ruas são levados pela chuva até as galerias pluviais, onde contaminam toda a água | Daniel Derevecki/Gazeta do Povo
Tocos de cigarro deixados nas ruas são levados pela chuva até as galerias pluviais, onde contaminam toda a água (Foto: Daniel Derevecki/Gazeta do Povo)

As leis antifumo, criadas para proteger a população dos componentes tóxicos da fumaça do cigarro, podem trazer um efeito colateral indesejável: aumentar a chamada "poluição difusa" – aquela que está nas superfícies e é carregada pela chuva para os cursos d’água. Com a proibição do fumo em ambientes fechados, os fumantes acendem e aspiram a fumaça de seus cigarros em áreas ao ar livre. Depois, muitos deles arremessam as bitucas no chão.

Um estudo coordenado pelo biólogo Aristides Almeida Rocha, professor aposentado da Fa­­culdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), e pelo advogado e jornalista Mário Albanese, presidente da Associa­ção de Defesa da Saúde dos Fu­­mantes, mostra que duas guimbas de cigarro geram a mesma quantidade de poluição produzida por um litro de esgoto (leia mais nesta página). Segundo Albanese, os tocos deixam a água turva e criam um sedimento tóxico.

Praias

Nas praias, as bitucas de cigarros têm sido um dos principais componentes do lixo recolhido por mutirões de limpeza. Em outubro, um trabalho promovido pela ONG Instituto Conservação Marinha do Brasil (Comar) na Prainha e na Praia Grande, em São Francisco do Sul (SC), resultou na coleta de 237 kg de lixo. Desse total, 1 kg era constituído de 2 mil guimbas. Parece pouco, mas essas pontas roubam da água uma quantidade de oxigênio equivalente à retirada por mil litros de esgoto.

O Instituto Am­­biental do Paraná (IAP) vem distribuindo nos últimos anos, a cada temporada de verão, cerca de 5 mil minilixeiras para os fumantes jogarem seus tocos de cigarro. Chamadas de "bituqueiras", as minilixeiras são colocadas nos postos de controle da balneabilidade das praias. De acordo com o IAP, a ação produziu bons resultados, reduzindo em 70% a quantidade de pontas de cigarro atiradas na areia.

Estimativas da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) indicam que os fumantes constumam deixar cerca de cinco bitucas por metro quadrado de areia. "A limpeza pelo processo de varrição não consegue retirar todo esse lixo, por isso temos de distribuir as bituqueiras", afirma o secretário, Rasca Rodrigues. "Não se trata de facilitar a vida dos fumantes, mas de evitar os danos ambientais causados pelas pontas de cigarros. Muitos animais marinhos morrem em decorrência das bitucas jogadas na praia", explica.

Segundo Rasca, a Sema não tem planos de promover ações desse tipo nas cidades, mas espera contar com a colaboração de bares e restaurantes, já que as guimbas jogadas na rua e levadas até os rios pelas galerias de águas pluviais acabam também chegando ao oceano.

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