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Paraguai

Blecaute binacional

País vizinho, sócio do Brasil na hidrelétrica de Itaipu, fica completamente às escuras durante 15 minutos

Leitor com edição de ontem do ABC Color: principal jornal paraguaio desmentiu rumores sobre boicote brasileiro ao país | Christian Rizzi/ Gazeta do Povo
Leitor com edição de ontem do ABC Color: principal jornal paraguaio desmentiu rumores sobre boicote brasileiro ao país (Foto: Christian Rizzi/ Gazeta do Povo)

Ciudad del Este, Paraguai - O apagão brasileiro ganhou contornos políticos no Paraguai. Indignada com as constantes quedas de energia, a população aproveitou o episódio para criticar a frágil infraestrutura elétrica do país, que é sócio da maior hidrelétrica do mundo, a Itaipu Binacional. Com o problema de transmissão de energia no Brasil, praticamente todo o Paraguai ficou por 15 minutos às escuras na noite de terça-feira.

O cambista Aldo Serafin, 51 anos, de Ciudad Del Este, fronteira com Foz do Iguaçu, disse que o apagão não deixou tanto prejuízo se comparado a episódios anteriores de queda de energia. Há sete meses, ele teve a geladeira e a televisão queimadas por cortes de luz, comuns no Paraguai. "Temos a maior hidrelétrica do mundo. Como isso pode acontecer?", indigna-se. Segundo a população, apesar de serem rápidas, as quedas de energia são praticamente diárias e causam prejuízos.

O ABC Color, principal jornal do Paraguai, circulou na manhã de ontem com a notícia do apagão na capa. "Gigantesco apagão no Brasil deixa às escuras todo o Paraguai". A matéria trazia in­­formações sobre problemas na linha de transmissão de Furnas e também desmentia rumores que relacionavam o apagão a um boicote que estaria sendo praticado pelo Brasil.

Em algumas cidades e estados do Paraguai, a falta de energia não se limitou aos 15 minutos provocados pela falha no Brasil. Antes de o apagão brasileiro acontecer, havia vários locais do país que já estavam sem luz devido a um temporal que derrubou postes e torres de transmissão. O estado de Ñeembucci, na região Sul, foi o mais atingido.

Mas mesmo em Ciudad Del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, alguns imóveis permaneceram mais tempo às escuras por problemas de transmissão internos do país. Um deles foi a churrascaria do brasileiro Fábio Patusi. Ele disse que o estabelecimento ficou 40 minutos sem energia. "Aqui não é a mesma eficiência que no Brasil. O atendimento é complicado", diz. Com o apagão prolongado, 40 clientes precisaram esperar pelo atendimento.

Segundo a Itaipu, a luz voltou rapidamente no Paraguai porque não havia problemas no caminho da energia entre a usina e o país. Os paraguaios reivindicam há tempos a melhoria na infraestrutura das linhas de transmissão. Em agosto, durante a reformulação do acordo de Itaipu, que envolveu os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo, em Assunção, o Brasil anunciou que construiria uma linha de transmissão de 500 Kv para levar energia de Itaipu até a capital Assunção.

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Lá fora

Veja o que alguns dos principais jornais da América Latina e do mundo falaram sobre o apagão no Brasil e no Paraguai:

El Pais, Uruguai

"O metrô nas cidades parou, telefones celulares deixaram de funcionar e o tráfico ficou caótico por falta dos semáforos. Enquanto isso a polícia se colocou em alerta para a possibilidade de que bandidos aproveitassem a escuridão."

La Nación, Argentina

"As autoridades investigam os motivos que provocaram a paralisação da central hidrelétrica de Itaipu."

The New York Times, Estados Unidos

"Especialistas em energia disseram que o apagão foi um importante sinal de alerta para os perigos de interligação e mostrou a vulnerabilidade no sistema de transmissão do Brasil."

O Público, Portugal

"Uma mega falha energética deixou ontem ao início da noite dezenas de milhões de brasileiros sem electricidade nas duas maiores cidades do país – São Paulo e Rio de Janeiro – devido a problemas de transmissão na rede de cabos que ligam à enorme barragem de Itaipu."

El Pais, Espanha

"O incidente despertou dúvidas no Brasil sobre a confiabilidade de sua infraestrutura energética, o que levou Lula a convocar o ministro da Energia, Edison Lobão, para uma reunião urgente em Brasília."

The Times, Inglaterra

"O Rio de Janeiro, que deverá sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, foi a cidade mais atingida. A famosa praia de Copacabana, geralmente iluminada por luzes brilhantes dos arranha-céus, estava mergulhada na escuridão."

The Guardian, Inglaterra

"No Paraguai, a agência nacional de energia colocou a culpa do apagão em um curto-circuito em uma estação elétrica perto de São Paulo. Todo Paraguai ficou escuro por aproximadamente 20 minutos."

Chicago Tribune, Estados Unidos

"Um grupo de assaltantes aproveitou a escuridão para roubar as pessoas em massa perto do estádio do Rio Maracanã, onde acontecerão as cerimônias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos."

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