O coronel Pedro Machado, sub comandante da Defesa Civil do Rio de Janeiro, informou no início da tarde deste sábado (30) que apesar de já se passarem mais de quatro horas do desabamento de um prédio na Cidade Nova, no Centro, ainda é possível que haja sobreviventes nas ruínas.
Os bombeiros ainda buscam cerca de dez outras pessoas que estariam no prédio quando ele desabou. Um cão farejador foi levado ao local para ajudar na busca por mais vítimas.
Segundo Machado, o Instituto Médico Legal tenta identificar os mortos que já foram retirados dos escombros. De acordo com o coronel, três pessoas teriam morrido. Os bombeiros divulgaram mais cedo que o número de mortos na tragédia seria quatro.
Quinze pessoas já foram resgatas com vida, segundo os bombeiros. Os feridos foram levados para dois hospitais no Rio. No Souza Aguiar, seis pessoas foram atendidas e cinco delas já foram liberadas.
Segundo Machado, o prédio que desabou era muito antigo, provavelmente com a estrutura debilitada. Ele explicou que diversos imóveis no local foram abandonados e invadidos por moradores, e estariam irregulares. O coronel disse ainda que moradores às vezes fazem obras sem orientação técnica nos imóveis, os tornando mais vulneráveis.
Nenhuma hipótese foi descartada até o momento para o desabamento, e os bombeiros vão investigar se houve vazamento de gás.
Preso nos escombros
"Vi a morte e a dor." Com essas palavras o lanterneiro Ismail Ferreira Leite, de 55 anos, resume os 30 minutos que ficou preso nos escombros do prédio.
Ele conta que estava levantando, por volta das 7h, quando o prédio ruiu. Ele foi resgatado pelos bombeiros e levado a um hospital. Após fazer uma radiografia, foi liberado e passa bem.
Ismail já retornou para a Cidade Nova, e diz que agora vai ajudar no resgate de outras vítimas que possam estar ainda presas nos escombros.
Bruno dos Santos, morador da Cidade Nova, foi um dos primeiros a chegar no prédio que desabou. Ele chegou antes mesmo dos bombeiros. "Estava dormindo, acordei com um barulho enorme. Achei que era tiro. Mas quando olhei só vi muita fumaça," lembra.
Ele conta que resgatou duas crianças dos escombros. "Vi as mulheres desesperadas e uma delas desmaiou. Levamos para a ambulância e depois fomos resgatar os filhos dela." Bruno resgatou uma menina, que segundo ele, morreu. Resgatou também outra criança, um menino de 7 ou 8 anos, que ainda segundo ele, sobreviveu.
Prédios antigos
Marcelo Soares, 40 anos, que trabalha na rua em que ocorreu o desabamento, chegou ao local minutos após a tragédia. "Cheguei por volta de 7h45 e não vi mais o prédio, estava tudo arriado. Pelo que ouvi de relatos, foi tudo muito rápido, fez um barulho e caiu tudo. Eu não acreditei. Fiquei abalado", diz.
Apesar de estar há 15 anos trabalhando na rua, Soares conhecia apenas de vista as famílias e crianças que moravam no prédio. "Não tinha aquela intimidade, mas a gente sente pelas famílias de pessoas que perderam a vida. O pessoal está aqui desesperado, e os bombeiros ainda trabalham na retirada dos escombros", conta o funcionário.
Segundo Soares, o prédio que desabou, assim como outros da rua, era muito antigo. "Era feito de tijolos antigos, aqueles deitados, e era uma construção bem úmida por dentro."
Hélio Augusto dos Santos, proprietário de outra loja de autopeças na Rua Laura de Araújo, descreve o momento exato do desabamento do imóvel."Estava chegando para trabalhar e, de repente, por volta das 7h, ouvi um barulho, subiu muita poeira e começou o desespero".
No local, segundo Santos, moravam mais de dez famílias. "Em cima da oficina havia um cortiço, com muitas famílias, muitas crianças, muita gente humilde. Eram dois andares de moradias, fora os puxadinhos, ampliações irregulares", conta.
A região, ainda de acordo com Santos, fica próxima a um mangue, e os frequentes alagamentos teriam contribuído para deteriorar as estruturas do imóvel, já antigas. "Esses prédios já haviam sido desapropriados e deveriam ter sido demolidos, mas o descaso das autoridades levou a esse acidente. É muito triste", diz.
Parede arriada
Um funcionário de uma loja de autopeças na rua em que ocorreu o desabamento, Guaraci Barbosa Silva, 53 anos, passou pelo prédio que desmoronou cerca de dez minutos antes do acidente.
"Passei por lá e a parede da oficina já estava arriada. O dono da oficina, que abriu cedo, estava preocupado, tentando avisar aos moradores do andar de cima que havia o risco de desabamento, e foi o que aconteceu. Só deu tempo de ele sair correndo", contou ao G1.
Segundo Silva, o desabamento ocorreu pouco antes das 7h. "Depois do que aconteceu, o dono da oficina veio até a nossa loja, tomou um banho e saiu. Não conseguimos conversar porque ele estava muito abalado". O funcionário trabalha há cerca de cinco anos na Rua Laura de Araújo, onde fica o prédio, mas conta que não conhecia os moradores do prédio. "Só cumprimentávamos os moradores de passagem, mas sabemos que na parte de cima do prédio tinha muita família, muita criança".
Após o desabamento, de acordo com Silva, o movimento na rua é grande e os moradores comentam um possível risco de desabamento em outros imóveis. "As construções aqui são muito antigas, e as pessoas estão dizendo que muitas casas estão condenadas. Na nossa estrutura, está tudo bem", afirma.







