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Guerra ao tráfico

Bope toma 9 morros cariocas em 30 minutos

Secretário de Segurança do Rio de Janeiro admite que Rocinha pode ser ocupada pela polícia e sugere “exportação” das UPPs

Policiais soltam fumaça azul para sinalizar ocupação no Centro do Rio: traficantes fugiram | Marcos de Paula/AE
Policiais soltam fumaça azul para sinalizar ocupação no Centro do Rio: traficantes fugiram (Foto: Marcos de Paula/AE)

Por volta das 10 horas deste domingo, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar começou a instalação de três Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Complexo São Carlos, no Centro do Rio. A ação envolveu cerca de 800 policiais, incluindo 170 do Bope. Não houve troca de tiros. A conclusão da operação – que durou 30 minutos – foi simbolizada com a detonação de sinalizadores de fumaça azul no alto de cada uma das áreas.

Além do São Carlos, foram ocupadas as favelas do Querosene, Zinco e Mineira, no Estácio; e os morros da Coroa, Prazeres, Fallet, Fogueteiro e Escondidinho, em Santa Teresa. A Secretaria de Segurança Pública estima que 26 mil pessoas moram nestas comunidades e mais de 500 mil habitam os 17 bairros no entorno desses morros.

Nos morros dos Prazeres e da Mineira, policiais e militares encontraram pichações do tráfico com ofensas à UPP. Na localidade conhecida como Chuveirinho, no Morro da Mineira, além de xingamentos, os traficantes escreveram "Vamos voltar. Assinado Bonde do Coelho". Eles se referem ao traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, chefe do tráfico na favela e um dos principais abastecedores de maconha e cocaína da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). A maioria dos moradores adotou o silêncio. Alguns comentavam que "a polícia não iria encontrar ninguém, porque todos foram para a Rocinha".

A Polícia Militar identificou no Morro da Mineira uma enfermaria irregular, que funcionava no prédio de um centro comunitário, na região conhecida como Chuveirinho. O local provavelmente servia para atender traficantes. Na enfermaria, os PMs também prenderam o alemão Kai Jorg Niespodziciky, que disse ser paramédico e vestia um jaleco com os dizeres "ginecologia, pediatria, clinica médica e cirurgia".

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A ocupação foi anunciada pelo governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, depois que, no dia 24 de janeiro, em represália a uma incursão da Polícia Civil traficantes metralharam as fachadas da prefeitura do Rio e quase derrubaram o helicóptero da TV Globo. A operação chegou a ser adiada por causa do socorro às vítimas das chuvas na Região Serrana. O aviso faz parte da estratégia da Secretaria de Se­­gurança para evitar confronto com traficantes durante a ocupação, reduzindo o risco de vítimas entre moradores.

O secretário de Segurança do estado do Rio, José Mariano Bel­trame, disse que a operação atingiu seu objetivo. Quanto à fuga dos traficantes, à semelhança das operações anteriores, afirmou que as coisas não podem ser feitas de uma vez só. "Não adianta agir de maneira atabalhoada. Prefiro que essas pessoas saiam e que nós ocupemos o território".

Beltrame foi evasivo ao falar sobre a provável ocupação da Favela da Rocinha, em São Con­rado, principal fornecedora de entorpecentes para a Zona Sul. "O que podemos dizer é que a Ro­­cinha está no nosso planejamento", anunciou. Pela primeira vez, o secretário afirmou que o modelo de ocupações de favelas do Rio pode ser levado para outros estados, "diminuindo índices de criminalidade em todo o país".

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