
Principal ligação entre o Paraná e os países do Mercosul e importante rota de escoamento da safra do estado, a BR-277 também é o corredor preferido para os traficantes de maconha. Este ano, 67% da droga apreendida em todo país foi interceptada em 123 quilômetros da rodovia, entre Foz do Iguaçu e Cascavel, na região Oeste. A polícia conseguiu retirar de circulação no trecho paranaense cerca de 43 toneladas de maconha até agosto. No Brasil, o total, no mesmo período, chegou a pouco mais de 65 toneladas.Entre Foz do Iguaçu e Cascavel, por onde circulam cerca de 10 mil veículos todos os dias segundo a concessionária Ecocataratas há três postos da Polícia Rodoviária Federal (PRF): um na cabeceira da Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu ao Paraguai; outro em Santa Terezinha de Itaipu, na divisa com Foz; e o terceiro em Céu Azul, município vizinho a Cascavel.
Além dos postos e das constantes fiscalizações, o chefe de policiamento e fiscalização da PRF no Paraná, Gilson Cortiano, diz que a polícia também trabalha com planejamento estratégico, serviço de inteligência e qualificação dos agentes para conter o tráfico. Esse somatório seria o responsável pelo grande volume de apreensões em 2010. "A incidência da droga tem sido grande, mas cada vez mais estamos impondo um trabalho de repressão", diz Cortiano. A PRF não revela o efetivo que atua na rodovia por questões de segurança, mas diz que o número de policiais está abaixo do necessário. Se houvesse mais agentes, as apreensões seriam maiores.
O inspetor-chefe da PRF em Foz, Ricardo Schneider, diz que a BR-277 tornou-se a rota da maconha, superando até mesmo rodovias do Mato Grosso do Sul. A estrada é apontada como um corredor de entrada no país, que facilita acesso a grandes centros consumidores situados nas regiões Sul e Sudeste.
Os policiais costumam encontrar a droga em ônibus de linha, fundos falsos de veículos de passeio, caminhões, misturada a cargas ou envolta no corpo de "mulas" (pessoas contratadas para transportar drogas). "Quando tem uma característica suspeita o policial já faz uma abordagem mais minuciosa", diz Schneider.
Uma operação em julho deste ano, no posto de Santa Terezinha do Itaipu, na BR-277, foi responsável por metade da maconha apreendida no Paraná e um terço do que foi retido no Brasil. Os policiais encontraram 21,5 toneladas do entorpecente em uma carreta que transportava compensados de madeira foi a maior apreensão da droga já registrada no país.
A Operação Sentinela, desencadeada em conjunto pela PRF, Polícia Federal (PF), Receita Federal e Força Nacional de Segurança (FNS), é outra aliada ao combate do tráfico na região. O coordenador da operação e delegado da PF em Foz do Iguaçu, Marco Smith, conta que, enquanto a PRF concentra os esforços na BR-277, a PF atua no entorno de Foz. Iniciada em março deste ano, a ação acontece em caráter contínuo.
O trabalho de repressão provocou inclusive a alta do preço da maconha nos centros de consumo. Segundo Smith, o quilo da droga custa hoje entre R$ 500 e R$ 1 mil em São Paulo. No começo do ano, girava em torno de R$ 250 o quilo. No Paraguai, principal centro produtor de maconha, a droga é vendida por R$ 30 o quilo.
BR-277
Inaugurada em março de 1969, a BR-227 tem 730 quilômetros de extensão e liga Paranaguá a Foz do Iguaçu. A rodovia sempre foi usada como rota para o tráfico. No entanto, o volume de drogas que circula aumentou nos últimos anos.




