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Segurança

Brasil é quinto em ranking mundial de assassinatos

O pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz afirma que a provável causa do aumento do número de homicídios juvenis em Curitiba é o narcotráfico, seguindo uma tendência nacional. O Brasil ocupa a quinta posição mundial entre os 83 países onde há dados sobre a morte de jovens. "Quando comparamos o número de homícidios totais com os juvenis, vemos que em Curitiba há uma discrepância", afirma Waiselfisz. A capital paranaense ocupa o 206º lugar no ranking de homícidios totais. A posição sobe para 104º quando só se compara a morte de jovens. "Há uma cultura da violência muito grande, aliada ao narcotráfico, contrabando e ampla circulação de armas de fogo", analisa o pesquisador.

Como saída para a violência, Waiselfisz afirma que não há melhor mecanismo de inclusão do que a educação. "O jovem tem uma crise de futuro e falta de perspectivas. Não é por acaso que o tráfico de drogas está recrutando adolescentes cada vez mais novos. Precisamos de educação e políticas específicas para a juventude." De acordo com o pesquisador, dados mostram que há no país quase 7 milhões de jovens ociosos, que não trabalham nem estudam.

A socióloga Miriam Abramovay, coordenadora de pesquisa da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), lembra que, quando o jovem entra no mundo do tráfico de drogas, é muito difícil sair. "Ele cria um compromisso com um grupo e literalmente tem contas a pagar. Isso, aliado à falta de escolaridade e de profissionalização, gera um pensamento de que é melhor viver pouco, mas viver bem, com dinheiro."

A socióloga e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Ana Luíza Fayet Sallas acredita que são necessárias mais estatísticas sobre a relação entre os jovens e o tráfico de drogas. "É preciso apurar a causa das mortes, senão só se reproduz o estigma. As pessoas pensam ‘se morreu em função do tráfico, deixa para lᒠe esse tipo de morte acaba se tornando rotineira e banal." Ela lembra que a sociedade se comove com crimes cometidos contra crianças e jovens de classe média, mas esquece que eles ocorrem todos os dias em comunidades carentes. "Alguém viu uma passeata de protesto sobre a morte desses jovens? Alguém sabe o nome deles? Eles são só os viciados, os traficantes. É preciso perguntar o que está por trás disso."

Desafio

A diretora executiva do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente (Ilanud), Paula Miraglia, especialista em segurança pública e justiça penal, afirma que a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente ainda é um desafio para o Brasil. Ela diz que, apesar de o país ter uma das legislações mais avançadas do mundo e um debate amadurecido sobre a infância e juventude, ainda não diminuiu a morte de jovens. "A América Latina e o Brasil em especial têm em comum um número exorbitante de violência letal contra adolescentes." Francesco Serale, diretor do Cense Curitiba, diz que os jovens brasileiros morrem no silêncio e no anonimato. "É um exército de gente morta todos os fins de semana e nos assustamos com a guerra no Oriente Médio." O coordenador da organização não-governamental Meninos de 4 Pinheiros, Fernando Francisco de Goes, que trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco, diz que a sociedade está perdendo a batalha para o tráfico de drogas. "É um drama. São famílias inteiras desestruturadas pela droga. O tráfico cresce em um ritmo que as políticas públicas atuais não são capazes de acompanhar." Mesmo sendo uma referência das Nações Unidas quando o assunto é infância vulnerável, a ONG tem inúmeros exemplos de batalhas perdidas. São meninos que perderam a infância e a adolescência para pegar em armas e aprender desde cedo a contar buchas de crack. "A sociedade civil organizada não consegue fazer tudo sozinha. Precisamos de ajuda", diz Goes. (PC)

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