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Sem focinheira

Briga de cães quase vira tragédia

Cachorros no Zerão: lei da focinheira não pega | Gilberto Abelha/Jornal de Londrina
Cachorros no Zerão: lei da focinheira não pega (Foto: Gilberto Abelha/Jornal de Londrina)

Em quase dez anos de vigência da lei municipal que proíbe cães em locais públicos e em áreas de lazer sem coleira, focinheira e enforcador, a prefeitura de Londrina não consegue fiscalizar a aplicação da regra. No domingo, animais soltos no Zerão, principal área de lazer central de Londrina, quase provocaram uma tragédia.

O funcionário público André Luis Melnick, de 35 anos, foi atacado no domingo por vários rapazes e por um pit bull, que também investiu contra o labrador Barão e o filho de 12 anos em plena tarde no Zerão. Traumatizado e perplexo com a violência, Melnick se recuperava ontem das escoriações e dos pontos na orelha, causados por chutes e socos. "Vim passear com o meu filho e o nosso cachorro, e acabou nisso", lamentava. Segundo Melnick, três rapazes incitaram um pit bull no momento em que se distraía com Barão e o filho, atirando gravetos para que o animal fosse buscar. "Ao ver que eu seria atacado, me agarrei com o animal e caímos no Igapó", conta. "Nesse momento, uns cinco rapazes foram para a água, me deram chutes, socos, voadoras. Meu filho levou uma mordida profunda no braço. Quando saí da água, fui espancado por uns 15 rapazes sem ter feito nada."

Melnick diz que no momento em que sofreria um golpe na cabeça um policial civil à paisana, armado, interrompeu a briga e prendeu apenas um dos agressores, mas o restante da quadrilha fugiu.

Melnick afirma que o labrador tinha coleira e enforcador, mas estava solto para que brincasse. O funcionário público não acredita que, se o pit bull que atacou ele e o filho de 12 anos estivesse com as devidas proteções – focinheira e enforcador –, o resultado seria diferente. "Quem tinha que andar de focinheira eram os donos", sugere. "Eles ficaram incitando o animal, que não teve culpa."

Lei

O Código de Posturas impede animais soltos, desacompanhados dos donos e sem os equipamentos de proteção. A mesma lei também determina que os donos devem portar meios para limpar os dejetos deixados pelos companheiros durante os passeios. Se a lei fosse cumprida, o dono flagrado poderia ter o animal apreendido e ser multado entre R$ 55 e R$ 890. Apesar da existência da lei, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), mais uma vez, alega inexistência de fiscais. Nunca nenhum animal foi apreendido ou dono multado – o município sequer tem locais onde poderia manter tais animais. Ontem, apesar das placas com o alerta, donos de animais ignoravam a lei e mantinham animais sem equipamentos: um deles caminhava com oito cães "guiados" por um rotweiller que seguia independente do proprietário.

Atual secretário interino de comunicação da prefeitura e um dos autores da lei em 1999, o ex-vereador Salvador Francisco afirma que o caso ocorrido no domingo, no entanto, não tem relação com a falta de exigência de cumprimento da lei pela CMTU. "Foi um ato de selvageria, banditismo, que deve ser cuidado exclusivamente pela polícia", diz.

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