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EDUCAÇÃO

Briga de estudantes causa manhã de pânico em escola

Alunos e professores da Escola Municipal Prefeito Omar Sabbag (com 2.700 alunos do Ensino Fundamental), na Vila Oficinas, no bairro Cajuru, uma das mais tradicionais de Curitiba e que já foi referência em qualidade de ensino, viveram situação de pânico e vandalismo no fim da manhã de ontem. A briga entre dois estudantes desencadeou uma série de cenas de descontrole no colégio. Janelas apedrejadas, recrutamento para o quebra-quebra, estudantes trancados nas salas de aula e intervenção policial. Tio de três estudantes e morador próximo da escola, Cleverson Braga descreve com poucas palavras o que presenciou do lado de fora. "Foi coisa de presídio." As aulas da tarde e da noite foram suspensas.

Por volta das 10h20, logo após o fim do intervalo, dois alunos da 6.ª série, com 15 e 17 anos, iniciaram uma discussão no pátio da escola. Amigos deles aumentaram o tumulto ao chamar estudantes que já tinham voltado para as salas. "Eles vinham pela janela e chamavam os colegas para irem para fora", conta uma professora que pediu anonimato. A situação se agravou quando pedras começaram a ser atiradas contra as janelas. Rojões e bombinhas também foram estourados dentro da escola.

Guardas municipais que atendem a escola não conseguiram conter a atitude de vandalismo e recorreram ao reforço do Grupo de Operações Especiais da Guarda Municipal (GOE) e da Patrulha Escolar da Polícia Militar. Alunos e pais relatam que estudantes acabaram agredidos. "Os policiais tinham de se defender, mas não precisavam chegar batendo com cacetetes", conta o pai de um aluno, que também preferiu não se identificar. A Guarda Municipal e a Polícia Militar negam ter machucado qualquer estudante.

Os dois jovens que iniciaram a confusão foram apreendidos e encaminhados para a Delegacia do Adolescente. De acordo com professores e colegas, os dois rapazes são reincidentes. Um deles estaria envolvido com uma gangue da região e até portava arma. No fim do dia os dois já haviam sido entregues aos pais. Na escola, sua expulsão não foi descartada. "Estamos analisando medidas disciplinares cabíveis para o caso. Penalidades serão aplicadas com o rigor que se requer", afirma o superintendente executivo da Secretaria Municipal de Educação, Jorge Eduardo Wekerlin.

O motivo para a revolta dos estudantes estaria ligado à posse da nova diretoria da escola. Ontem foi o primeiro dia em que professoras da Chapa 2 assumiram a direção. No início da manhã, teria sido feito um cadastramento dos alunos sem uniforme, bonés teriam sido retidos e celulares foram proibidos. "Eles começaram a bagunça porque não queriam a nova diretora", relata uma aluna da 6.ª série. "Ela disse que eles ficariam sem recreio durante uma semana", conta outra estudante. Do lado de fora, era possível escutar os alunos gritando "Chapa 1". "Uma professora disse para eu tirar a minha filha porque o pessoal das outras chapas estava mobilizando os alunos", lembra Carlene Braga, mãe de uma aluna.

Estopim

No entanto, há quem acredite que esse foi apenas a gota d’água para os problemas que a escola já vinha enfrentando há alguns anos. De acordo com moradores da região, pelo fato da escola estar localizada entre várias vilas – Autódromo, Oficinas, Trindade e Centenário –, a rivalidade entre gangues é levada para dentro da escola. "Não quero acreditar nisso. Não quero ficar levantando hipóteses. Precisamos investigar. Estamos tratando essa situação com rigor", pondera Wekerlin.

Segundo o relato de várias pessoas, são freqüentes as brigas dentro e fora da escola, pessoas desconhecidas controlam a saída dos alunos e estudantes chegam a fumar drogas e cigarro em dependências do colégio. "Isso foi apenas a gota d’água. Fora do colégio, todo santo dia tem briga de gangue", relata uma mãe de aluno que preferiu o anonimato. "Eles só usaram a nova direção como pretexto. Eles já vêm se desentendendo e brigando há duas semanas", conta outra professora. Para ilustrar a gravidade da situação enfrentada na escola, a professora lembra que na última quarta-feira uma aluna foi espancada pela mãe de outra menina por causa de uma discussão entre as garotas. "Estamos com uma clientela (alunos) bem complicada de lidar", lamenta.

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