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Macaco

Bugio com artrite é tratado como rei

Expulso do bando, Augusto passa por tratamento com acupuntura em centro de triagem da PUCPR, casa de centenas de animais vítimas de maus tratos

A idade avançada é um impeditivo para que macaco Augusto volte a viver livre na natureza | Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo
A idade avançada é um impeditivo para que macaco Augusto volte a viver livre na natureza (Foto: Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo)
Gato do mato abrigado no Cetas, em Tijucas do Sul |

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Gato do mato abrigado no Cetas, em Tijucas do Sul

Um lagarto está entre os animais atendidos no centro de triagem |

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Um lagarto está entre os animais atendidos no centro de triagem

Macacos-prego foram abandonados ou resgatados de traficantes |

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Macacos-prego foram abandonados ou resgatados de traficantes

As aves, como o papagaio da foto, são os animais em maior número no Cetas |

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As aves, como o papagaio da foto, são os animais em maior número no Cetas

Bugio resgatado em uma casa de Curitiba ganhou nome: Augusto |

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Bugio resgatado em uma casa de Curitiba ganhou nome: Augusto

A clínica veterinária do Centro de Triagem atende dezenas de animais maltratados |

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A clínica veterinária do Centro de Triagem atende dezenas de animais maltratados

O bugio capturado no final de fevereiro em uma casa no bairro Uberaba, em Curitiba, tem agora um novo lar. Ele está no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), que fica em Tijucas do Sul, onde recebe cuidados veterinários desde que chegou. Augusto, como é chamado pelos funcionários do local, é idoso e estava muito doente. Tinha pneumonia, verminose, carrapatos e dores nas articulações.

SLIDESHOW: Veja alguns animais abrigados no Cetas

VÍDEO: Veja como é o trabalho do Cetas

Foram mais de dois meses de tratamento com cuidados muito especiais, como papinha de fruta dada na seringa. Hoje o bugio não tem mais doença grave, mas por causa da artrite –provocada pela idade – passa por sessões de acupuntura uma vez por semana e toma medicação homeopática todos os dias.

Segundo a veterinária e coordenadora do Cetas, Ana Carolina Fredianelli, a principal hipótese para ele ter aparecido na residência foi a expulsão do bando, que é comum quando o animal entra na velhice. Augusto não tem mais as características de um bugio jovem. Não se relaciona bem com os outros animais – e por isso fica sozinho no viveiro – e não grita mais, comportamento comum nessa espécie. Por essas razões, não poderá voltar à natureza, pois não sobreviveria.

A história de Augusto não é incomum. Junto com ele vivem outros animais silvestres que chegam ao Cetas por diversos motivos. Muitos foram resgatados do tráfico, outros sofreram maus tratos e alguns foram atropelados nas estradas. Depois de cadastrados – cada um ganha uma ficha e um número de registro que é encaminhado ao Ibama –, passam por um exame clínico completo.

É ele que vai ajudar a decidir o destino do animal. Se estiver bem, vai ficar pouco no local, cerca de dois meses. Depois será reintegrado à natureza. Se precisar de tratamento pode ficar lá por mais de um ano, ou nem sair. "Depende de muitos fatores, como o estado psicológico do animal e a existência de programas de soltura", explica Ana. Das cinco corujas que estão lá, por exemplo, apenas uma poderá voltar a viver nas matas, pois as outras quatro estão sem as asas porque foram vítimas de atropelamento.

Cuidados

Embora o passado desses animais seja triste, o tratamento que recebem enquanto estão no Cetas é de primeira. São cuidados por uma equipe de sete pessoas – uma veterinária, uma residente, dois estudantes e três tratadores – que se ocupam de dar remédios, trocar curativos e dar comida. Por semana, chegam lá dois caminhões lotados de frutas, como maçã, banana e laranja, que são as que os bichos mais comem. Mas eles ganham também frutas da estação – como manga, melão e melancia –, que é o que comeriam se estivessem soltos.

TraumasAnimais atendidos chegam com sequelas físicas e psicólogicas

Os animais que estão no Centro de Triagem (Cetas) não sofrem apenas problemas físicos. O tráfico e os maus tratos são responsáveis também por danos psicológicos. As aves que estavam em locais escuros e sujos, por exemplo, ficam estressadas. Além de gritar ou falar sem parar (no caso dos papagaios), podem até arrancar as próprias penas.

No caso dos macacos o dano mental é causado pela separação. Muitos deles foram abandonados por um dono. Portanto, estavam acostumados com a convivência humana. Quando vão para o meio de outros animais, não sabem como agir e ficam deprimidos. "Esse é o tipo de animal que não poderá voltar à natureza nunca mais", conta a veterinária Ana Carolina Fredianelli.

Resgate

O Cetas não tem um serviço de resgate próprio. Ele recebe animais que são levados pela Polícia Ambiental, a Força Verde. Em média chegam 20 por mês, mas em abril eles receberam 112, pois o Ibama, que também recolhe alguns bichos, passou por reforma e não pode abrigá-los. Mesmo com essa quantidade, existe espaço externo suficiente, pois o terreno tem cerca de 240 hectares. O problema é que a clínica é pequena e, dependendo do dia, fica abarrotada de animais.

DepoimentoUm viva para o Cetas

Do centro de Curitiba até o Cetas é um longo caminho, leva cerca de duas horas. Não é muito fácil de encontrar – não há placas --, o que é um benefício, pois dificulta a chegada de pessoas mal intencionadas. Mesmo que ao saber das histórias dos animais o sentimento seja de tristeza, a sensação é de que eles estão bem cuidados e a salvo. Isso porque não faltam remédios, nem comida e muito menos tratamento médico de qualidade. Qualquer um que precise de uma cirurgia ou outro procedimento mais complexo é encaminhado ao Hospital Veterinário da PUCPR. Mas o que mais chama a atenção é o amor dos profissionais. É visível o carinho que eles dedicam aos bichos e a preocupação em deixá-los saudáveis e confortáveis para compensar o sofrimento por que passaram.

Anna Simas é repórter do núcleo de Educação e responsável pelo blog Animal.Cetas

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Vida e Cidadania | 2:12

Junto com ele outros animais silvestres moram na instituição, que é mantida pelo Ibama e pela PUCPR. Muitos desses animais foram resgatados de tráfico, vítimas de maus -tratos ou pararam em áreas urbanas por causa de devastação.

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