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Cacique Raoni exige mudanças na Funai

Raoni criticou a construção da usina de Belo Monte, no Pará | Valterci Santos/Gazeta do Povo
Raoni criticou a construção da usina de Belo Monte, no Pará (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo)

O cacique caiapó Raoni criticou ontem, em Curitiba, a construção da usina hidrelétrica de Belo Mon­te, no Pará, e pediu que o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, deixe o cargo. Conhecido no Brasil e no exterior pela sua luta ao lado do cantor britânico Sting em favor da preservação da Amazônia e do direito dos índios, Raoni pediu também mais respeito entre brancos e indígenas. Ele participou do 3.º Seminário Indígena-História e Atualidade na sede do Ministério Público do Paraná (MP-PR), no Centro Cívico.

"A Belo Monte vai causar problemas não só para os índios, mas todas as pessoas que moram na beira do Rio Xingú", disse em dialeto caiapó. A tradução foi feita pelo índio Bemoro Metyktire. "Onde essas pessoas vão morar?", questionou.

Ao pedir a saída de Meira, o cacique ressaltou que a Funai está entre os principais problemas dos índios no Brasil. A crítica mais contundente é feita ao fechamento dos postos da Funai nas reservas. Um decreto assinado há um ano transferiu as unidades das aldeias para as cidades. Segundo Raoni, a relação entre os representantes do poder público com os índios vai piorar em razão da distância das cidades e da realidade indígena.

O cacique disse que nunca foi consultado pelo presidente da Funai sobre a reestruturação do órgão e afirmou que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rous­seff nunca o chamaram para debater a questão indígena. Du­­ran­­te o evento, Raoni se encontrou com o professor de antropologia da USP Orlando Villas Boas Filho, filho do sertanista Orlando Villas Boas. "Ele é o símbolo do embate dos povos indígenas", afirmou o professor.

Realidade local

O Paraná tem hoje 16 mil índios, segundo o procurador de Justiça Luiz Eduardo de Azevedo Cantu Bueno, coordenador da Promo­toria dos Direitos Indígenas. "Algu­mas aldeias não têm autossustentabilidade. Pela ausência de políticas públicas há dificuldades até de sobrevivência física", disse.

O procurador afirmou que o MP-PR tem tentado mostrar que as políticas públicas não são apenas de responsabilidade do governo federal, mas também de estados e municípios.

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