
Os casos de fraude eletrônica estão em queda no Paraná. Segundo o Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), foram registradas no estado, desde o início do ano, 257 ocorrências de desvio de dinheiro pela internet, uma média de 1,1 caso por dia. Durante o ano passado inteiro houve 1.009, registros 2,76 por dia, em média. E em 2007 foram 1.475 casos, média de 4 por dia.
O delegado titular do Nuciber, Demétrius de Oliveira, atribui o resultado à atuação da polícia. "Se [os criminosos] veem que não há reação, vão tomando conta. Se há recuo, vê-se o trabalho da polícia", afirma. Ele cita como exemplo a atuação do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), que desencorajou a ação de sequestradores do Paraná.
Clonagem
Um tipo de fraude eletrônica comum é a clonagem de cartões magnéticos de bancos. O Nuciber não tem dados precisos sobre o número de casos. Os registros de boletins de ocorrência não são centralizados: o cliente pode prestar queixa em qualquer delegacia, e às vezes o delegado prefere continuar com o caso, em vez de transferi-lo à unidade especializada. "Aqui no Nuciber registramos só 2 a 3 casos por mês", afirma Demétrius.
A vendedora Renata Moreno de Carvalho Aguiar, 28 anos, já foi vítima de golpes eletrônicos duas vezes a primeira, há quatro anos, e a última, no ano passado. O primeiro caso foi descoberto pelo próprio banco, que percebeu uma movimentação anormal na conta. "Entraram na minha conta pela internet e fizeram um empréstimo", conta Renata. Ela registrou a ocorrência numa delegacia distrital, e o banco a ressarciu.
No ano passado, a vendedora teve o cartão clonado. Ela mesma descobriu o golpe quando foi fazer um saque, e o limite diário havia sido ultrapassado. Ela fez boletim de ocorrência numa delegacia e ligou para o banco, que bloqueou o cartão, emitiu um novo, com nova senha, e fez o ressarcimento do valor desviado. "O banco resolveu o problema, mas não revelou onde foi feito o saque", diz.
Bancos
De acordo com dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os bancos brasileiros investem aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano em sistemas de segurança eletrônica. No Banco do Brasil, funcionários inspecionam os terminais de autoatendimento instalados nas agências para detectar anormalidades. A assessoria de imprensa do banco, porém, admite que é bem mais difícil evitar a instalação de "chupa-cabras" (equipamentos que roubam os dados do cartão e a senha do cliente) em caixas eletrônicos instalados fora das agências.
Segundo a assessoria do BB, os terminais hackeados pelos bandidos são fáceis de identificar: a senha já é pedida na primeira tela, antes da abertura do menu. Quando o cliente escolhe a opção desejada, aparece uma mensagem de erro: "Dirija-se ao terminal ao lado".
O banco informa que não foram registrados casos de clonagem dos novos cartões com chip. Outra medida de segurança foi o fim da exigência da senha numérica nas operações em caixas eletrônicos. Só a senha alfabética, mais segura, é exigida.
O Banco do Brasil também mantém uma central de segurança, que alerta quando ocorrem saques fora do padrão habitual do cliente. Caso o correntista não confirme a autoria do saque, o cartão é bloqueado. O cliente é orientado a registrar a ocorrência na polícia. A partir daí, o banco abre um processo interno para resolver o caso e ressarcir o cliente.
Outro banco que usa diversas ferramentas de segurança é o HSBC. Uma delas é o selo digital, figura formada por cinco elementos, combinados de modo a formarem a imagem de um selo único para cada cliente que acesse o site do banco. Outro sistema de segurança é o "captcha", um teste para saber se o usuário em questão é humano ou é um programa automatizado. Há ainda, entre outros recursos, o teclado codificado, que impede a captura da senha.
* * *
Interatividade
Você já teve problemas com clonagem de cartão ou roubo de senha?
Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br
As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.







