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Ensino

Cai inclusão de jovens na educação

Entre 2009 e 2012, caiu a proporção de pessoas com 15 a 17 anos que estudam, interrompendo avanço da taxa de escolarização

Juarez Spieler Júnior largou a escola para trabalhar, mas decidiu voltar para os livros: “O mercado é mais difícil para quem não estuda” | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Juarez Spieler Júnior largou a escola para trabalhar, mas decidiu voltar para os livros: “O mercado é mais difícil para quem não estuda” (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

De um lado, um currículo de ensino médio inchado e antiquado, que não dialoga com o jovem. De outro, o mercado de trabalho cada vez mais atraente. Essas são as principais causas apontadas por especialistas para que o Brasil tenha estagnado na inclusão de jovens no sistema educacional nos últimos três anos. Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada em setembro pelo IBGE, 84,2% dos jovens com 15 a 17 anos estavam estudando em 2012 – um ponto porcentual a menos do que em 2009.

INFOGRÁFICO: Mais de 15% da população entre 15 e 17 anos disseram não estar estudando em 2012

De acordo com o IBGE, entre 2007 e 2009, a taxa de escolarização nessa faixa etária, que engloba principalmente alunos do ensino médio, havia saltado quase quatro pontos porcentuais. A inversão na curva, mesmo que tímida, preocupa porque o ideal para o país seria a universalização do ensino médio, com o incentivo para que mais pessoas façam cursos superiores ou técnicos.

A evasão do sistema escolar significa que a cada ano milhares de brasileiros vão entrar no mercado de trabalho com baixa qualificação, ou engrossar a geração dos chamados "nem-nem", jovens que não trabalham nem estudam.

Só em 2012, 1,6 milhão de pessoas entre 15 e 17 anos estavam fora da escola. De 2009 para cá, apenas nove estados não tiveram queda na taxa de escolarização dessa faixa etária, entre eles o Paraná, onde passou de 80,5% para 81,4% – bem abaixo do índice nacional e que, em números absolutos, representa mais de 100 mil adolescentes fora das carteiras do ensino médio no ano passado.

Segundo a doutora em Educação Evelise Portilho, da PUCPR, o mercado de trabalho é apenas uma das causas da evasão escolar. "Nessa fase, o adolescente pode procurar um emprego e alguns acabam desistindo dos estudos, mas há também aqueles que abandonam por achar a escola extremamente maçante. O ensino médio não acompanhou as necessidades desses jovens e precisa de uma reestruturação muito séria", diz.

É esse conjunto complexo de fatores de desestímulo que precisa ser enfrentado pelo governo federal para universalizar o ensino básico, que engloba os níveis fundamental e médio. E a diferença entre as duas fases da educação é gritante: para crianças e adolescentes até 14 anos, a taxa de escolarização supera 98%. Na tentativa de aproximar os resultados dessas duas fases do ensino, o Ministério da Educação (MEC) estuda mudar o currículo do ensino médio, composto atualmente por 13 disciplinas obrigatórias. A ideia é agrupar as matérias em quatro grandes áreas (ciências humanas, ciências da natureza, linguagens e códigos e matemática).

A pedagoga Elisane Fank, do Colégio Estadual do Paraná, elogia a proposta, mas diz que é preciso cautela com o resultado. "A ideia do MEC é inovadora, mas, ao reagrupar as disciplinas, não pode suprimir áreas importantes do conhecimento."

"Trabalho atraiu mais do que escola"

Em um passado recente, quando tinha 15 anos, Juarez Spieler Júnior fez parte do grupo de milhares de jovens que abandonam os bancos escolares. A história dele não é diferente da maioria: trocou a escola por uma vaga no mercado de trabalho. O futuro, ele espera que seja diferente.

"Voltei a estudar neste ano porque estava sentindo dificuldades em várias áreas, inclusive em Português. O mercado de trabalho é muito mais difícil para quem não estuda", conta o jovem de 18 anos.

Segundo Spieler, foi um convite de um parente que deu sua primeira oportunidade no mercado de trabalho e, indiretamente, acabou desestimulando sua presença nas carteiras do 8º ano do ensino fundamental. Agora, o jovem voltou aos estudos no CEEEJA (Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos) Paulo Freire e de lá não pretende sair até 2014. "Vou me formar e depois fazer uma faculdade de Engenharia da Computação. O conselho que dou para quem pretende abandonar é que não faça isso, porque o estudo é importantíssimo".

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