Para evitar advertências e multas, que podem chegar a um valor de R$ 2 mil, algumas escolas públicas e particulares de Curitiba e Foz do Iguaçu já estão de acordo com a legislação estadual que proíbe a venda de alimentos não saudáveis nas cantinas. A lei número 14.855, de 20 de outubro de 2005, dava prazo até 20 de dezembro do ano passado para que as escolas fizessem as adequações.
O motivo é evitar surpresas com a fiscalização da Vigilância Sanitária Estadual, que ainda não começou nesse ano em três escolas ouvidas pela reportagem na capital. No ano passado, após a legislação entrar em vigor, a Escola Atuação, em Curitiba, chegou a receber duas autuações. "Nós tínhamos um dia reservado em que as crianças trouxessem guloseimas de casa e abríamos a cantina para vender esses tipos de produtos. Mas fomos informados que nem assim podíamos fazer", diz a diretora Ester Cristina Pereira.
Para as escolas, a proibição por si só não vai combater a obesidade infantil porque a dificuldade agora é controlar o que vem de casa. Guloisemas não aparecem mais nas prateleiras, mas nas lancheiras. "Eles acabam encontrando salgadinho no supermercado", ressalta a assessora pedagógica do grupo Bom Jesus , Alessandra Hartmann.
Em Foz do Iguaçu, alunos trazem de casa doces e salgadinhos para consumir no intervalo. O Colégio Castelo Branco é um exemplo. A cantina vende os alimentos de acordo com as normas, mas alguns alunos preferem comer lanches gordurosos adquiridos fora do colégio. É o caso de Renata Caroline, 11 anos, que estava com um saquinho de salgadinhos na mão. "Sei que não saudável", disse. No Colégio Três Fronteiras o problema é no período noturno. Os alunos conseguem até bebidas alcoólicas de ambulantes pelo muro.
Mas algumas crianças mais conscientes dão lições. As colegas Maíra Portes, 7 anos, e Carine Romanini, 9 anos, dão o exemplo e dizem trazer de casa barrinhas de cereais e sucos naturais. "Pizza só de vez em quando. Eu estava muito gordinha e minha mãe resolveu controlar um pouco. É melhor assim", disse Carine. Já Caio Fernandes dos Santos não consegui resistir a uma pizza todos os dias, comprada na cantina da escola. "Dificilmente eu trago o lanche de casa".
Nas 2,1 mil escolas estaduais, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Educação, existe uma regulamentação anterior à legislação estadual, que impõe padrões de qualidade nutricional indispensáveis à saúde dos alunos. Ainda de acordo com a assessoria, as escolas estaduais passam por fiscalização interna. A fiscalização nas escolas particulares estaria à cargo da vigilância sanitária.



