A polícia catarinense não tem mais dúvidas de que o casal curitibano encontrado morto na última terça-feira tenha premeditado o duplo-suicídio. "De todos os indícios levantados, nenhum indica o contrário disso", afirma o delegado Anselmo Cruz, da delegacia da Lagoa da Conceição. Os corpos da enfermeira Joelma Beatriz Girett de Lima, 33 anos, e o estudante de direito Hélcio Fernando Palumbo, 22 anos, estavam no quarto de um hotel à beira-mar, em Florianópolis.
Funcionários do hotel Joaquina Beach foram ouvidos ontem pela polícia. "A partir disso, pretendemos retomar os últimos passos do casal", conta o delegado, que descarta hipótese de uma terceira pessoa ter entrado no quarto. Os familiares de Palumbo devem comparecer ainda hoje à delegacia para fornecer informações. As irmãs de Joelma estiveram lá anteontem. "Elas se mostraram surpresas com o que aconteceu e não apresentaram nenhum histórico dela [Joelma] que pudesse justificar essa atitude", relata Cruz.
Joelma e Palumbo foram encontrados deitados na cama e ambos tinham soro injetado nas veias. Os investigadores acreditam que 16 ampolas de insulina achadas no quarto tenham sido aplicadas com o soro. O material recolhido no hotel foi encaminhado para a perícia. Os laudos que apontarão a causa da morte devem ficar prontos em cerca de 20 dias a suspeita é que tanha ocorrido uma overdose de insulina.
O médico endocrinologista César Boguszewski explica que a aplicação de uma dose muito alta de insulina pode levar à morte por hipoglicemia. "A pessoa perde a consciência e a produção de açúcar é bloqueada. O mecanismo de defesa não chega a atuar."
Porém, o que teria levado os dois à morte continua uma incógnita. "Por que morrer? Se eles se gostavam, por que não ficaram juntos? A gente nunca vai saber o que aconteceu realmente", lamenta uma amiga de Joelma. "Ela não tinha motivos para fazer isso. Era uma menina carismática, nunca fez mal para ninguém. Ela me chamava de filha", desabafa a mãe Ana Girett.
Assim como os amigos de Hélcio não sabiam que tipo de relacionamento ele teria com Joelma, a enfermeira nunca tinha contado para as amigas mais próximas que os dois estariam juntos. Já a mãe de Joelma confirma o romance. "Ela amava ele. Não saíam. Ela não queria assumir isso em público", conta. O estudante e a enfermeira haviam se conhecido a cerca de um ano, depois que o rapaz também passou a trabalhar no Hospital de Clínicas.
Na última página do diário da enfermeira, encontrado no hotel, estava escrita a seguinte mensagem, não datada: "Estamos felizes, vamos viajar e ver o mar. Não existe um culpado. Estamos juntos. (...) Mãezinha, você foi a melhor pessoa que encontrei nesta vida, estarei todos os dias ao seu lado".
O corpo de Joelma foi enterrado na manhã de ontem, no Cemitério Jardim Eterno, em Paranaguá. Palumbo foi sepultado na quarta-feira, em Curitiba. Pela internet, a irmã da enfermeira conta que Joelma era o alicerce da família, agradece o apoio de amigos e finaliza dizendo: "Vamos ficar sem a nossa Julieta e o seu Romeu".



