Novos suspeitos devem ser indiciados no segundo inquérito aberto pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre o serviço de tanatopraxia, além das 13 pessoas que foram denunciadas pelo Ministério Público na primeira ação protocolada em junho. Os novos indiciamentos podem ser feitos com base em documentação apreendida na semana passada numa casa indicada por uma testemunha.
Foram apreendidos dois livros-caixa da empresa Tanatos, referentes aos anos de 2004 a 2006, além de 90 notas fiscais relativas a 2006 e 2007 e nove CDs. O Gaeco investiga denúncias de que familiares de mortos teriam sido constrangidos a contratar o serviço de tanatopraxia (técnica de conservação de cadáveres), prestado por duas empresas particulares.
O delegado do Gaeco, Alan Flore, explicou que o material foi encontrado numa casa, a partir de denúncia feita por uma pessoa. No local, o material foi entregue aos policiais. "Os indícios sugerem que outras pessoas podem estar envolvidas", declarou Flore. O delegado disse que pretende pedir a escala de serviço dos funcionários da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) desde 2004 para checar as anotações do livro-caixa apreendido e os nomes de quem trabalhou.
Conforme disse o delegado, algumas anotações feitas no livro-caixa podem indicar pagamentos ilegais. Nesses apontamentos, nomes como "Mauro", "Carlão" e "Geraldo" aparecem ao lado da palavra "comissão" e de valores que variam de R$ 50 a R$ 820. Em outros casos, aparecem supostos apelidos, como "Chaplin", "Careca", "Véio" e "Gera". Num terceiro momento, surgem letras como C, L, CH.
No dia 27 de dezembro de 2004, por exemplo, a inscrição "comissão Mauro" aparece ao lado do valor R$ 340. Em 5 de fevereiro de 2005, a inscrição "comissão Carlão" aparece ao lado do valor R$ 785. "Chaplin", por exemplo aparece ao lado do valor R$ 50, numa anotação do dia 26 de maio de 2005.
Há referência a um suposto pagamento que teria sido feito à Acesf no dia 10 de janeiro de 2006, no valor de R$ 3.800. Flore disse que pretende apurar o motivo desse pagamento.
Constrangimento
Os novos depoimentos de vítimas do suposto esquema da tanatopraxia, prestados ao Gaeco a partir de julho, mostram cenas de constrangimento a familiares de mortos que ainda não tinham vindo a público. Numa delas, a vítima diz que uma funcionária da Acesf deu um tapa no rosto do cadáver na frente de familiares, para "comprovar" a necessidade de contratar o serviço de tanatopraxia. De acordo com o relato, saiu sangue do nariz do cadáver.
Em outra situação narrada por vítimas, a pessoa morreu às 13 horas, foi para a Acesf às 15 horas, mas diante do assédio de funcionários do órgão, a família se viu obrigada a fazer o enterro às 18 horas do mesmo dia. Eles não aceitaram pagar R$ 2 mil pela tanatopraxia.
O JL não conseguiu contato com a empresa Tanatos.



