
O número de casos de dengue no país dobrou neste ano em relação ao ano passado, divulgou ontem o Ministério da Saúde. A notificação subiu de 489.819 para 936.260, um aumento de 91,14%. Até 16 de outubro, o número de óbitos provocados pela dengue chegou a 592. Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o cenário nacional deste ano é "tão preocupante" quanto o do ano passado.De acordo com o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanini Coelho, cerca de 70% dos casos notificados neste ano ocorreram nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre. O ministério alega que a volta da circulação do tipo 1 da doença, que predominou no final da década de 1990, contribuiu para o aumento dos números. Em quase todos os estados brasileiros grande parte da população não teria imunidade a esse sorotipo.
Surto
Pelo menos 15 municípios brasileiros, incluindo duas capitais, concentram alto risco de surto da doença. Segundo o resultado parcial do Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) 2010, divulgado ontem, 11 estão no Nordeste, 3 no Norte e 1 no Sudeste do país. Outros 123 municípios, entre eles 11 capitais, estão em situação de alerta e 162 apresentam índice satisfatório. Curitiba, Belém, Natal e Cuiabá ainda não concluíram a pesquisa domiciliar e devem publicar os dados até 20 de novembro, Dia Nacional de Combate à Dengue.
Os 15 municípios com maior risco de surto da doença apresentaram índice de infestação superior a 3,9 (veja box com lista). Isso significa que de cada 10 imóveis pesquisados em quase 4 foram encontradas larvas do Aedes aegypti. Entre as capitais, estão em situação de alerta Salvador, Palmas, Rio de Janeiro, Maceió, Recife, Goiânia, Aracaju, Manaus, Boa Vista, Fortaleza e Vitória, com índices que variam de 3,5 a 1,2.
Temporão explicou que a divulgação do LIRAa 2010 é simultânea ao lançamento da campanha nacional para reforçar o alerta que vem sendo feito desde setembro, quando lançado o Risco Dengue. "Embora o grau de conhecimento das pessoas sobre a doença e a prevenção seja alto, em torno de 96%, o brasileiro sabe que tem papel fundamental na eliminação dos focos do mosquito, o que ainda é um desafio no Brasil. Prova disso é o resultado do LIRAa deste ano", apontou. Para tanto, a mensagem de 2009 foi substituída pela que reforça a responsabilidade do cidadão: "Dengue: se você agir, podemos evitar".
Saneamento
A manutenção de condições precárias de saneamento básico e a irregularidade da coleta de lixo em muitos municípios também impedem a redução dos índices de infestação pelo mosquito. "A falta de abastecimento de água obriga as pessoas a armazenarem em caixas dágua, tonéis, latões sem a devida proteção. O lixo acumulado também abastece o ambiente, de forma permanente, com vários criadouros ideais para a fêmea do mosquito colocar seus ovos", apontou o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanini Coelho.







