
Curitiba está crescendo mais na região central do que nos bairros. O Centro da capital reverteu a tendência de queda demográfica dos anos 1990 e viu o número de moradores aumentar acima da média entre 2000 e 2010. Enquanto a população geral da cidade cresceu 10% na década passada, a do Centro aumentou 14,3%, saltando de 32,6 mil para 37,3 mil. Os dados são do último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Entre os motivos que levaram 4,7 mil pessoas, na maioria jovens, a morar no entorno das praças Tiradentes e Osório, ou do calçadão da Rua XV de Novembro, estão a infraestrutura urbana, a diversidade de serviços, o preço dos imóveis, a mobilidade e a revitalização da zona central, um intenso trabalho desenvolvido pelo poder público e por órgãos de classe como a Associação Comercial do Paraná.
A estudante de Radiologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Marina Batista Silva, de 21 anos, é uma das novas moradoras do Centro. Quando decidiu se mudar de Campo Largo para Curitiba, ela encontrou um apartamento simples de um quarto, a poucos passos de onde estuda, na Avenida Sete de Setembro. "Não tem lugar melhor. Moro na frente da faculdade e estou perto de tudo", comemora.
Mobilidade
A mobilidade e o fato de estar perto de tudo foi o que mais atraiu novos moradores. E a construção civil soube aproveitar esse segmento de consumidores. De acordo com dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná, 17 empreendimentos imobiliários foram lançados na área central nos últimos cinco anos. Os benefícios construtivos oferecidos pela prefeitura fazem com que os espaços sejam mais baratos quando comparados com outros bairros.
Os trechos do centro que mais cresceram nos últimos dez anos ficam entre as ruas Marechal Deodoro e XV de Novembro e entre as avenidas Sete de Setembro e Visconde de Guarapuava. O Censo 2000 mostrava que essas áreas eram as de menor densidade populacional de Curitiba.
Na opinião do coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Hardt, essa área da capital voltou a ser atrativa. "A opção de não transformar o Centro em uma região estritamente comercial e de serviços fez com que ele não morresse. Prédios desocupados estão, aos poucos, sendo retomados", explica.
Para ele, um Centro atrativo, cheio de vida, faz bem para a cidade. "As universidades, faculdades, escolas, restaurantes, bares, alguns serviço, fazem com que o Centro de Curitiba tenha uma sobrevida dentro das 24 horas. E não apenas no horário comercial. Isso é muito bom", diz. Entretanto, o arquiteto faz um alerta. "O poder público tem de reagir constantemente, com reformas e adequações. Caso contrário, vai desvalorizar. Por isso é importante apostar em inovações", adverte.
O coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo, Orlando Pinto Ribeiro, diz que o crescimento do Centro foi resultado de um planejamento urbano efetivo. "A cidade passou por um processo de descentralização, mas se recuperou com as iniciativas do poder público e entidades privadas. Notamos que empresas instaladas no Centro apostaram na manutenção do imóvel e não em sair de lá."
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Interatividade
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