
Paranaguá - Uma tendência europeia pode ser implementada nas ruas do centro histórico de Paranaguá, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan): incentivar a circulação de pedestres e o uso de bicicletas nas ruas antigas para fortalecer o comércio local com a restrição da circulação de carros. A proposta está no Plano de Mobilidade do Centro Histórico de Paranaguá e ainda depende de uma audiência pública e do desenvolvimento de um projeto técnico para ser aplicada na cidade litorânea, berço da sociedade paranaense no século 16.
Paranaguá é a segunda cidade do país em que o Iphan elabora um plano de mobilidade a fim de preservar a paisagem histórica. A outra é Ouro Preto, em Minas Gerais. A intenção é fortalecer o turismo nesses locais, relacionando a conservação do casario antigo com atração de turistas e a circulação de pessoas da própria cidade no comércio, estimulando o desenvolvimento econômico dessas áreas de preservação arquitetônica. Recuperar a paisagem significa retirar o carro, que não fazia parte do cotidiano local na época da colonização.
No caso da cidade paranaense, o centro histórico abrange a área na margem esquerda do Rio Itiberê na Rua da Praia (veja mapa), que tem casas típicas da colonização portuguesa do fim do século 19 e início do século 20. Além disso, o espaço tombado concentra a Igreja de São Benedito, a primeira igreja construída no Sul do Brasil, entre 1600 e 1650, por escravos negros devotos; e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, edificada em 1578 e marco central do povoado e da Vila de Paranaguá.
O plano de mobilidade está sendo desenvolvido pela empresa TC Urbes, de São Paulo, contratada pelo Iphan, e deve ficar pronto ainda no primeiro semestre. A arquiteta Patrícia Zandonade explica que a restrição de veículos é ainda uma proposta. Para ela, o problema principal é a circulação da frota na região. "O excesso de veículos traz riscos para os pedestres e ciclistas, degrada as casas com a trepidação e desvaloriza a paisagem", diz.
Opinião parecida tem o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), Yahia Hamud. Segundo ele, a entidade apoia o plano, mas se preocupa em não prejudicar os comerciantes. "Temos algumas preocupações com a restrição ao trânsito, para que isso não inviabilize as lojas", observa. Ele defende ações contínuas e de longo prazo para implementar o plano e mudar paulatinamente a cultura local. "A maioria ainda discorda (da restrição aos carros) porque tem uma visão imediatista."
Audiência
O debate público da ideia deve acontecer em março e o principal desafio será convencer os comerciantes que, a longo prazo, a retirada dos carros será benéfica, vai levar mais pessoas para a área tombada e, consequentemente, melhorar o comércio. "Temos de ter cuidado para não expulsar a população residente. Queremos que seja o centro de todas as classes sociais", adianta Patrícia.
A audiência pública colocará nove grupos de interesse no centro histórico, entre comerciantes, moradores, trabalhadores e donos de imóveis, para proporem juntos alternativas de mobilidade na região.
A prefeitura de Paranaguá acompanha a elaboração do plano e, segundo a diretora municipal de Planejamento, Rita Abe, ainda não tem um posicionamento oficial sobre a proposta da restrição de carros no setor histórico.
Serviço:
Acesse o blog no site da empresa responsável pelo plano de mobilidade de Paranaguá para ajudar no debate. O site é: www.tcurbes.com.br/paranagua.
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