Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Obras públicas

CEU está em reforma há mais de dois anos

Restauro, que custou R$ 4,9 milhões, deveria ter sido concluído há um ano. Prefeitura estabeleceu condições para a continuidade do contrato de licitação

Metade do prédio da CEU permanece interditada e estudantes reclamam que parte reformada já apresenta problemas | Valterci Santos/Gazeta do Povo
Metade do prédio da CEU permanece interditada e estudantes reclamam que parte reformada já apresenta problemas (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo)

No site da Fundação Casa do Estudante Universitário (CEU), um contador anuncia: há 856 dias em reforma. Desde março de 2007, quando a fundação particular se tornou Unidade de Interesse Especial de Pre­­servação de Curitiba, os trâmites da reforma, paga pela prefeitura, se desenrolam. O contrato inicial, assinado em junho de 2007, previa 12 meses para o fim da obra. Em agosto, dois anos depois do início, apenas o primeiro lado da casa foi finalizado e entregue. O segundo permanece fechado. Ao todo, a reforma custou ao município R$ 4,9 milhões, provenientes da venda de potencial construtivo.

"A placa que anunciava o prazo inicial caiu de podre", reclama o presidente do Conselho Administrativo (CA) da Casa, Antônio Marcus dos Santos, estudante de Filosofia da Universidade Federal do Paraná. Segundo ele, os moradores já receberam uma série de desculpas formais sobre o atraso.

A prefeitura, por meio de sua assessoria, informa que o prazo sofreu mudanças devido a imprevistos da obra, como a recuperação da estrutura metálica. Em março, um processo para acréscimo de verba na licitação da empresa Projeto Urbano, responsável pela obra, também atrasou o cronograma. O Ministério Público, através da Promotoria de Justiça das Fundações e do Terceiro Setor, acompanha o caso e encaminhou ofícios para os responsáveis cobrando uma posição.

Na semana passada, o secretário municipal de Obras Públicas, Mario Tookuni, e o diretor do Departamento de Edificações, Hirotoshi Tami­­nato, se reuniram com responsáveis pela empresa e estabeleceram condições para continuidade do contrato de licitação. São duas as demandas principais: aumento do número de funcionários na obra, de 15 para 50, e estabelecimento de prazo final. A empresa tem até amanhã para se adequar. Do contrário, segundo a assessoria da prefeitura, corre o risco de uma rescisão unilateral do contrato, seguida de abertura de nova licitação para conclusão da obra. O diretor da Projeto Urbano, Nelson Maciel, adianta que já foram contratados novos funcionários e que até terça-feira a demanda será atendida. Além disso, afirma, um pedido de prorrogação de prazo para março já está em análise na prefeitura.

"Temos receio em caso de troca da empreiteira, pelos erros que ficaram na parte já finalizada da obra", diz Marcus. Os estudantes relatam problemas de nivelamento, mofo, pintura descascada, entupimentos e infiltrações na parte já finalizada. Maciel afirma que a manutenção está em processo. "Ajus­­­tes serão feitos durante a obra e posteriormente. Temos responsabilidade sobre o serviço executado", diz. Moradores também reclamam da falta de preocupação com a parte de restauro do edifício, considerado unidade de preservação. Se­­­gundo a presidência da CEU, pias e portas originais foram substituídas, e houve descaso com um vitral e um mural da edificação. Maciel afirma que, num imóvel que não é reformado há mais de 60 anos, fica difícil restaurar tudo. "Existe previsão no contrato de recuperar o que é possível", conta. Segundo ele, alguns materiais, como as portas de madeira maciça e janelas, não estão mais disponíveis no mercado.

"O cronograma já está sendo desrespeitado há bastante tempo e o prejuízo é grande para a Casa: na metade que está sendo reformada não pode morar ninguém e a arrecadação cai", acrescenta o promotor de justiça do Patrimônio Público, Edson Luiz Peters, ex-curador da fundação. Desde o início da reforma, a capacidade da casa diminuiu pela metade: hoje são 170 moradores de diversas universidades; 100 de um convênio com a UFPR. Com o fim da reforma, a CEU poderá abrigar até 430 estudantes. A queda na circulação de dinheiro resulta numa série de dificuldades para o funcionamento da casa e as dívidas se acumulam.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.