
Os moradores da Casa do Estudante Universitário do Paraná (CEU) estão disponíveis para adoção. Para ajudar a pagar as contas da casa e criar uma nova forma de financiamento da fundação, a diretoria decidiu lançar uma campanha que possibilita a empresas ou pessoas físicas assumir as mensalidades de determinado estudante. Em troca, o aluno presta serviços à comunidade de acordo com sua área de formação. A mensalidade hoje está em R$ 210 o equivalente a 45% do salário mínimo.
A CEU-PR vai organizar ações sociais (CEU em Ação) em bairros da periferia de Curitiba ou na região metropolitana, e a primeira delas já está marcada para a última semana de agosto, na Vila das Torres, com alunos de Ciências Sociais, Direito, Odontologia e Medicina da Universidade Federal do Paraná, e as empresas engajadas terão direito de uso de imagem nesses eventos. Outra possibilidade de contrapartida é que a empresa, em vez de pagar a mensalidade do aluno, ofereça estágio ou emprego a um morador.
A CEU vive um momento peculiar. Ao mesmo tempo em que o prédio histórico do Passeio Público passa por sua primeira reforma desde a construção, em 1956, as contas da fundação não fecham de jeito nenhum. A inadimplência na casa, que abriga estudantes carentes de todo o Brasil, chega a 39%, e como apenas um dos blocos está ocupado, enquanto o outro é reformado, a situação vai continuar difícil até a metade do próximo ano.
Atualmente, 180 estudantes moram no bloco par podiam ser 215, mas muitos quartos estão inabitáveis enquanto o ímpar é reformado. Desses, 100 são alunos da UFPR e recebem uma bolsa de R$ 170, menos que os R$ 210 cobrados de mensalidade dos demais 80 moradores. E é nesse universo de 80, aliás, que estão os inadimplentes.
Mas mesmo que todos estivessem pagando, a receita mensal chegaria a R$ 33,8 mil (incluindo os recursos repassados pela UFPR), e a despesa fixa fecha em torno de R$ 36 mil. Com a casa cheia, depois da reforma dos dois blocos, 430 estudantes poderão morar na casa, e aí a receita chegará a R$ 62.350, o que cobrirá a despesa com folga.
O responsável pelo convênio com a UFPR que garante aos moradores também refeições gratuitas no Restaurante Universitário (RU) é o ex-presidente da casa Bohdan Metchko Filho. Ele explica que a diretoria vai tentar convênios semelhantes também com universidades particulares. "Até para desfazer aquela ideia de que a CEU tem a ver com a UFPR", diz Bohdan, ao esclarecer que a entidade sempre foi, desde sua criação, uma fundação privada, sem vínculo algum com governos ou instituições.
Como forma de passar mais credibilidade, o atual presidente Elizeu Barroso Alves foi buscar na Fundação Getúlio Vargas o apoio necessário. Um convênio assinado garante parceria para o desenvolvimento de um modelo de gestão sustentável.
Reforma garantida
As obras de reforma da CEU-PR estão asseguradas graças a convênio assinado com a Prefeitura Municipal de Curitiba, também conseguido na gestão de Bohdan Metchko Filho. O prédio foi transformado em Unidade de Interesse Especial de Preservação (como aconteceu com a sede da União Paranaense dos Estudantes) e a própria prefeitura faz a captação de recursos e se encarrega da obra. "É muito bom, porque não passa dinheiro nenhum pela casa", diz o presidente Elizeu.
A entrega do primeiro bloco reformado está prevista para meados de agosto próximo, e a do segundo para março de 2010, caso o cronograma de obras seja mantido no atual ritmo.
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Serviço
Mais informações no blog da CEU: http://canalca.blogspot.com/, programa "Adote um Morador".



