Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Incêndio

Chamas consomem Teatro Ouro Verde em uma hora

Ainda não se sabe o que teria causado o incêndio no principal teatro de Londrina. Peritos começam a avaliar o local hoje

Indícios revelam que o incêncio do Cine Teatro Ouro Verde teria começado no segundo andar do edifício por volta das 16h30 | Daniel Costa/Jornal de Londrina
Indícios revelam que o incêncio do Cine Teatro Ouro Verde teria começado no segundo andar do edifício por volta das 16h30 (Foto: Daniel Costa/Jornal de Londrina)

Londrina - Erguido em 1952 e assinado por Vilanova Artigas, o Cine Teatro Ouro Verde foi totalmente destruído ontem, em menos de uma hora, após um incêndio tomar o prédio e consumir parte da história de Londrina. Nada sobrou. Hoje pela manhã, engenheiros da Universidade Estadual de Londrina (UEL) devem voltar ao local com a Defesa Civil do Paraná para avaliar o que restou do edifício.

Perto das 16h30, as fortes labaredas estilhaçavam as janelas do mezanino no segundo andar do teatro – provável foco do começo do incêndio – e a área foi isolada diante de uma multidão estarrecida, que assistia um dos símbolos que mais identificam a cidade ser inteiramente consumido pelas chamas. Cadeiras, palco, camarins, tudo foi incendiado.

O Ouro Verde seria o palco, em março, de uma inédita ópera em Londrina, com a participação de elenco italiano. O evento era preparado em segredo pela coordenação do Ouro Verde, que sequer teve tempo de anunciá-la publicamente. Entre as perdas, três pianos, um deles alemão, avaliado em mais de R$ 150 mil. As 950 cadeiras viraram cinzas. Apenas uma parte nos fundos do Ouro Verde, onde estavam os arquivos, foi preservada – mas ninguém sabia em quais condições.

Do lado de fora, via-se uma estrutura aparentemente intacta. Dentro, restava apenas um espaço vazio cujo teto, desabado, permitia registrar o interior do prédio já tomado por entulhos e ferros retorcidos, onde pouco ou nada deverá ser recuperado. O Corpo de Bombeiros interditou o Ouro Verde e a passagem de pedestres pelo Calçadão da cidade também seria bloqueada, sob risco de desabamento. Várias rachaduras eram perceptíveis.

"Só deu tempo de salvar computadores e alguns documentos", lamentava César da Conceição, agente da divisão de segurança da UEL, que administra o local. "Assim que vi a fumaça, o fogo se alastrou muito rápido. Não deu para fazer muito", detalhou, afirmando ter avisado rapidamente o Corpo de Bombeiros, que chegou ao local quase 10 minutos depois, com quatro viaturas e 20 homens.

Combate ao fogo

Os bombeiros tentaram entrar no Ouro Verde e logo desistiram após o risco iminente de desabamento. "Primeiro procuramos vencer as chamas por dentro do prédio, mas, como havia muitos riscos, desistimos e passamos a fazer o combate inteiramente pelo lado de fora", afirmou o tenente Rafael Galante, coordenador da operação.

Sem conseguir um combate efetivo a partir do chão, os bombeiros entraram em um prédio vazio que está em reformas ao lado do teatro. Do sétimo andar, direcionaram os primeiros jatos d’água em direção ao teto do teatro, já desabado. Quase meia hora depois, o caminhão com escada-plataforma foi acionado, o que permitiu um combate mais direcionado. "Não é verdade que houve demora", contestou o coordenador da operação.

Hidrantes do Calçadão não funcionaram

Embora o Corpo de Bombeiros negue, centenas de pessoas presenciaram dificuldades no combate às chamas no Cine Teatro Ouro Verde. Logo no início da operação, uma das mangueiras usadas estava furada. Mas pior do que isso parecia ser o acesso aos hidrantes, que estavam bloqueados ou, diante da falta de manutenção e uso, simplesmente não funcionavam em decorrência da falta de pressão. Ao lado do Ouro Verde, houve, ainda, demora em abrir a caixa de um hidrante de solo do Calçadão. Quando conseguiram, o equipamento não funcionou. Já na esquina do Calçadão com a Rua Rio de Janeiro, bombeiros tentavam com as mãos cavar a lama e a areia que bloqueava a caixa do mecanismo de ligação do hidrante. "Realmente teve algumas dificuldades com os hidrantes. Barro, terra, atropelaram um pouco, mas isso não dificultou o nosso trabalho", disse o tenente Rafael Galante. Durante a elaboração do Plano de Saneamento, em 2009, uma das principais queixas da corporação era a falta de manutenção e mapeamento dos hidrantes da cidade.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.