
A chuva constante registrada desde a noite de quarta-feira (25) em várias regiões do Paraná causou estragos em bairros e casas nesta quinta-feira (26). Há registro de alagamentos em Curitiba e região metropolitana e em algumas áreas do interior do estado, como Ponta Grossa, Francisco Beltrão e Cascavel, principalmente em áreas próximas a rios e córregos.
Na capital paranaense, no bairro Boqueirão, o Rio Belém transbordou e alagou casas na Vila Iguapê. No mesmo bairro, moradores da Vila Nova, da Vila Pantanal e da Vila Hortência também temiam ter a casa invadida pela água, pois o nível dos córregos da região estava alto já no fim da manhã.
Uma das casas alagadas na Vila Iguapê é a da auxiliar de marcenaria Ana Paula Rodrigues, 34 anos. Segundo ela, os alagamentos na região são constantes e os moradores não aguentam mais ter prejuízos por causa da chuva. O aposentado Lino Vidal dos Santos, 64 anos, reclamou da situação na Vila Hortência e contou que há 15 anos convive com problemas por causa dos alagamentos. Na última enchente, que ocorreu na Páscoa, em março, ele perdeu tudo o que tinha em casa.
No bairro Cidade Industrial, também em Curitiba, moradores de uma residência ficaram ilhados por causa da chuva no início da manhã. O Corpo de Bombeiros foi acionado para prestar socorro à família, por volta das 7h40, pois os moradores não conseguiam deixar a casa. Não houve feridos. A ocorrência foi registrada na Rua João Malucelli Neto. A corporação não soube informar quantas pessoas estavam no imóvel e o trabalho no local foi encerrado às 8h25, segundo os bombeiros.
No Tatuquara, o muro nos fundos de uma casa desmoronou nesta manhã. O caso ocorreu na Rua Júlio Batista Pereira e ninguém ficou ferido, segundo a prefeitura de Curitiba.
Região Metropolitana
De acordo com o Corpo de Bombeiros, também foram registrados pontos de alagamentos em Araucária e Fazenda Rio Grande, na região Metropolitana de Curitiba. Em Colombo, parte de um muro desabou sobre automóveis na Rua Zacarias de Paula Xavier. Não havia informações sobre feridos, de acordo com o Corpo de Bombeiros.
Em Piraquara, alguns moradores estavam revoltados durante a tarde pelos transtornos causados pela chuva. Na Rua das Rosas, na região do Guarituba, a água atingia 40 centímetros dentro da casa de Evaldo de Almeida, de 38 anos, e Sirlei Aparecida de Paula, 34 anos, ambos catadores de material reciclável. O casal conta que se mudou para o local há menos de um mês e que perderam alguns móveis e as galinhas que criavam no quintal.
"Fomos enganados por termos comprado um terreno achando que era um local seguro e seco. Na realidade alagou e nós perdemos tudo", conta Sirlei. Os quatro filhos do casal estavam em casa, esperando a água baixar. Segundo Sirlei, além da chuva, outro problema é um canal de esgoto que fica no final da rua e que está em obras para ser canalizado.
Gilseia Barbosa, de 51 anos, que mora na mesma rua que o casal, há 15 anos, enfrenta os mesmos problemas. "Nunca tivemos alagamentos aqui antes, foi desde que começaram essa obra, há aproximadamente 30 dias, que começamos a ter esse retorno do esgoto quando chove", conta ela.
Segundo João Carlos Labes, líder comunitário do Guarituba há 19 anos, o local tem já um histórico de falta de estrutura e ocupações irregulares. Um dos problemas, segundo ele, é o aterramento que os moradores fazem em seus terrenos, além do lixo doméstico que muitas vezes é jogado na rua e acaba acentuando o problema quando chove. Por volta das 16 horas, Labes foi até a prefeitura de Piraquara e voltou para o bairro com funcionários e máquinas para realizar a abertura dos córregos e tentar escoar um pouco da água que transbordava no local.
Também em Piraquara, mas no bairro Jardim Tropical, a dona de casa Eliane Brime, de 56 anos, reclama dos problemas causados por obras de esgoto na região. Segundo ela, que mora na Rua Alto Paraíba, desde que começou uma obra de encanamento para o esgoto da rua, começou a vazar água em seu portão.
"Se você chegar na minha casa, vai ver um local todo remendado, porque já perdi meus móveis e minhas coisas mais de uma vez. A minha revolta é que eu pago impostos, não moro em um local de invasão, mas não tenho estrutura. E quando a gente reclama, nada é resolvido", desabafa.
Chuva em Francisco Beltrão
Em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, choveu 126 milímetros em 24 horas das 7 horas de quarta-feira (25) até às 7 horas de quinta-feira (26), de acordo com o Instituto Tecnológico Simepar. O índice corresponde a 73% dos 171 milímetros esperados para o mês de abril.
Guarapuava
A chuva que cai desde a madrugada deixou 10 casas alagadas em Guarapuava, região central do estado. Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve feridos e apenas uma das casas está em situação de emergência.
Uma equipe da Defesa Civil de Guarapuava está no local para avaliar a situação e auxiliar as famílias atingidas. As casas ficam na Vila Karen, nas proximidades da BR-277. Não há registro de acidentes nesse trecho da rodovia.
Ponta Grossa
Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, foram registrados três alagamentos na Vila Princesa (bairro Uvaranas), Parque do Café (bairro Chapada) e Vila Raquel (bairro Contorno).
As polícias rodoviárias estadual e federal da cidade registraram quatro acidentes provocados pela chuva. Em um deles, na PR-151 (entre Carambeí e Ponta Grossa), um carro capotou e deixou três feridos.
As vítimas ainda estão sendo atendidas no local. Nos outros três acidentes, todos na BR-376, não houve feridos.



