
A queda de 112 árvores e 57 galhos de grande porte em vias públicas e terrenos particulares, durante a tempestade que atingiu Curitiba na última quinta-feira, evidencia a urgência do manejo da vegetação urbana do município. Entre as espécies mais atingidas pela tempestade estão angico, ipê amarelo, ipê roxo, pau ferro, araucária e tipuana esta última pouco adequada para sobreviver em cidades, segundo especialistas.
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente contabilizou mais de 150 solicitações de remoção de árvores ou galhos pelo canal telefônico 156. Segundo a prefeitura, as consequências da tempestade foram maiores nos bairros Pilarzinho, Vista Alegre, Santa Felicidade, Bom Retiro, Centro Cívico e Alto da Glória. Com 200 árvores caídas, o Bosque do Alemão foi fechado para visitantes. Uma pessoa que estava dentro de um dos 12 veículos atingidos ficou ferida. A secretaria também atendeu 13 edificações com danos em muros e telhados.
Até a sexta-feira, o volume de resíduos vegetais recolhidos pela prefeitura chegava a 1,5 mil metros cúbicos. De acordo com o secretário municipal do Meio Ambiente, Renato Lima, a chuva da quinta-feira foi um "episódio climático de magnitude", para o qual o poder público vinha se preparando desde maio quando um seminário sobre arborização urbana foi realizado. No encontro, explica ele, um novo quesito foi incluído nos critérios de avaliação das árvores da cidade: o risco. Com isso, uma árvore sadia pode ser removida, caso apresente perigo à população.
Para Lima, uma prova de que a medida tem dado certo são as avenidas Getúlio Vargas e Iguaçu, no Centro, que já passaram por uma revisão dentro dos novos critérios. "Fizemos a retirada de árvores e galhos que ofereciam perigo, e não houve prejuízos nesse último episódio." A avaliação da arborização de Curitiba será progressiva, com conclusão prevista para 2018. "Onde for necessário, faremos a mudança para espécies de menor porte."
A professora Daniela Biondi, do departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), define a queda de árvores como um evento "natural" em situações de vento forte e grandes volumes de precipitação. "Não foram só as árvores que caíram, foram casas, postes." Ainda assim, ela defende o manejo como imprescindível, já que espécies como a tipuana são "campeãs de queda", dada sua instabilidade causada pela poda para a passagem da fiação elétrica.
O professor da pós-graduação em produção vegetal da UFPR Flávio Zanette argumenta que o problema é antigo e poderia ser evitado com medidas técnicas adequadas. Uma delas é a substituição de espécies frondosas por arbustos, sobretudo, em corredores entre prédios, que favorecem ventos encanados. "Curitiba está muito exposta a esse tipo de acidente. Quem garante que este foi o maior temporal que tivemos?"
Corte só pode ser feito com autorização
O secretário municipal do Meio Ambiente, Renato Lima, afirma que a predominância de quedas de árvores em alguns bairros tem mais relação com elementos topográficos do que com o tamanho da vegetação. "Há uma distribuição heterogênea. Locais mais desabrigados têm uma sombra de vento, ou seja, vento em menor velocidade. Em algumas regiões, com a movimentação, se formam corredores de vento, como ocorreu no Bosque do Alemão, por exemplo."
Serviço
No entanto, algumas árvores podem ser mais vulneráveis a intempéries. O cidadão que tiver conhecimento de uma espécie alta, ou que pareça apresentar perigo perto de sua residência, deve solicitar uma avaliação da secretaria, pelo número 156. Sem autorização do poder público, reforça Lima, ninguém pode cortar árvores. "Elas são um patrimônio da cidade. Curitiba tem o privilégio de ser uma cidade arborizada, o que ameniza extremos climáticos e diminui tempestades", argumenta.
Segundo ele, o tempo de espera entre a chamada e a visita de um técnico da prefeitura pode variar de uma semana a dez dias. "Um ou outro caso pode demorar um pouco mais. Neste momento, em que todos estão voltados para isso, também pode ser que aumente o número de pedidos e tenhamos dificuldade em atender todos. Mas, em geral, é rápido."
Durante a visita técnica, avaliam-se as condições da árvore e a necessidade ou não de poda. Com base nisso, um relatório é elaborado pela Secretaria do Meio Ambiente. Se a substituição da árvore for necessária, explica Renato Lima, emite-se uma autorização de remoção vegetal.



