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Urbanismo

Cidades compactas são mais sustentáveis

Arquitetos criticam modelo de municípios “espalhados”, com condomínios e conjuntos populares construídos em bairros distantes

Com inovações urbanísticas, Bogotá se tornou um “case” de sucesso em planejamento urbano no mundo: capital colombiana declarou guerra aos carros | Divulgação
Com inovações urbanísticas, Bogotá se tornou um “case” de sucesso em planejamento urbano no mundo: capital colombiana declarou guerra aos carros (Foto: Divulgação)

Nada de cidades espalhadas, com bairros distantes e residências no melhor estilo casa-americana-de-subúrbio. Cidades mais compactadas são mais sustentáveis, pois otimizam infraestrutura e diminuem os deslocamentos urbanos. Essa é uma das conclusões dos especialistas que participaram do 2.º Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo, que se encerrou ontem, em Curitiba.

"Em uma cidade espalhada, se você vai à padaria, você tem de pegar o carro. Se você esqueceu a manteiga, tem de pegar o carro de novo. Não dá para andar", exemplifica Edson Yabiku, arquiteto do escritório Foster & Partners, considerado o maior do mundo. O presidente da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea), Gustavo Pinto, lembra que, se no passado, as grandes cidades eram consideradas o "bicho-papão para o movimento verde", hoje elas representam um modo de viver de forma mais sustentável. "Os arquitetos têm o desafio hoje de fazer uma cidade mais habitável, mais densa, mas sem deixar que vire um caos", explica.

A crítica dos arquitetos reside justamente no modelo de bairros em condomínios afastados ou em grandes conjuntos de casas populares em bairros distantes feitos pelo governo. Com as cidades mais compactadas, segundo Yabiku, a qualidade de vida tende a aumentar. "Se você dá um zoom alto, você vê que a comunidade é mais feliz. É uma comunidade mais plausível. Tem de deixar de lado o egoísmo, a escala individual/familiar, da casa com piscina atrás e jardim na frente, e olhar em escala global", afirma.

Para atingir esses objetivos, o arquiteto e urbanista, pós-doutor em desenvolvimento sustentável, Carlos Leite, diz que as cidades precisam se reinventar.

Exemplo

Um "case" de sucesso é Bogotá. A capital colombiana, com inovações urbanísticas, diminuiu os índices de violência e conseguiu "vender" para o mundo o Trans­milênio, um sistema aprimorado, mas inspirado nos biarticulados e nas canaletas exclusivas nascidas em Curitiba. "Quando Enrique Peñalosa assumiu a prefeitura, a primeira coisa que ele disse é que declarava guerra ao inimigo número um: o carro. Uma faixa de cada via foi transformada em ciclovia", conta Leite. As bicicletas, aliás, são parte do futuro, de acordo com os especialistas. Paris tem 300 quilômetros de ciclovias, Nova Iorque também. Bogotá, 340. Em Curitiba a malha cicloviária não chega a um terço disso.

Em Paris, lembra Pinto, os novos prédios comerciais estão sendo construídos sem vagas na garagem. "Isso pode ser o conserto para o nosso Centro", diz. O problema é a resistência da sociedade. O presidente da Asbea lembra quem um dos problemas encontrados na revitalização da região central de Curitiba, pela equipe do Centro Vivo, é justamente a existência de prédios antigos que não têm vaga para garagem.

Outro grande exemplo, de acordo com especialistas, é Portland, nos Estados Unidos. A cidade, considerada a mais sustentável do mundo, limitou em lei o seu crescimento. "Se atingir o limite, quem quiser construir terá de procurar outra cidade", comenta Pinto.

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O poder público deveria limitar o crescimento das cidades? Por quê?

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