As cinzas do vulcão Puyehue, em erupção no sul do Chile, podem ter chegado ao Paraná. Há relatos de que muitos carros amanheceram cobertos por um tipo de fuligem, que pode ser cinza vulcânica. Os casos estão concentrados da região de Curitiba e no Litoral.
O Instituto Tecnológico Simepar não pode confirmar se as cinzas são do vulcão, mas afirma que existe a possibilidade, já que as condições climatológicas e dos ventos eram favoráveis para o deslocamento da nuvem de cinza vulcânica para o estado. Segundo a meteorologista Ana Beatriz Porto, o instituto não faz análises de cinzas e esse tipo de partícula não é perceptível pelos radares meteorológicos. "As condições de vento, altitude e precipitação eram favoráveis para o deslocamento das cinzas até o estado", explica. Moradores de Paranaguá e Curitiba haviam entrado em contato com o órgão para esclarecer dúvidas.
Em Curitiba, há relatos de cinzas sobre carros e em calçamentos nos bairros Bacacheri, Cristo Rei, Rebouças, Capão da Imbuia, Mercês, Portão, Boa Vista, Xaxim, Boqueirão e Pilarzinho. No Litoral, os casos se concentravam em Paranaguá, Guaratuba e Matinhos, mas todas as cidades da região afirmavam ter registros da fuligem.
Saúde
Segundo o chefe do serviço de pneumologia do Hospital Universitário Cajuru, o médico Paulo Roberto Miranda Sandoval, esse tipo de poeira pode afetar mais intensamente pessoas que já têm doenças no sistema respiratório. "Pode piorar ou precipitar crises de asma, sinusite, bronquite, porque a pessoa vai inalar poeira. Crianças e idosos podem ter sintomas agravados", explica.
O médico explica que, além das pessoas com pré-disposição a problemas respiratórios, quem tem doenças relacionadas ao coração também deve ter mais cautela. "Diretamente, a poeira não causa problemas, mas como o oxigênio faz parte de todos os processos metabólicos, e o coração demanda muito oxigênio, recomendamos cautela", diz.
Os olhos também demandam uma atenção especial, de acordo com o médico. "Essas partículas lembram uma areia. Se a pessoa está em um ambiente com muita poeira, deve evitar coçar os olhos e pode colocar colírio para evitar a irritação", diz. O médico também recomenda que as pessoas evitem fazer atividades físicas ou que demandem muito esforço caso se exponha em um lugar onde há muita poeira.
Para amenizar o mal-estar que pode ser causado pelas cinzas, a orientação é manter o corpo hidratado, bebendo muita água. "O ideal são oito copos por dia, entre um e dois litros de água", diz. Além disso, os mais sensíveis podem usar máscaras, para evitar a inalação de poeira. Em casa, caso haja acúmulo de poeira em calçadas e pisos, a recomendação é a de passar panos úmidos ou lavar os ambientes e não varrer o local, já que essa ação apenas espalha a poeira pelo ar.
Avanço
Depois de passar pela região central e pelo litoral da Argentina e do Uruguai, as cinzas do vulcão atingiram o Rio Grande do Sul e, desde terça-feira (18), afetam a visibilidade em boa parte de Santa Catarina. Ao longo desta quarta-feira (19), a proporção das cinzas sobre o estado diminuiu, mas foram constatadas ocorrências no município de Campos Novos, no meio oeste do estado. A informação é do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram). Um estimador de partículas (instrumento de medição) do Instituto Nacional de Pesquisas Espacias (Inpe) confirma a presença das cinzas no Sul do Brasil.
As cinzas também afetaram a aviação no país. Na terça-feira, vários voos para os aeroportos de Florianópolis e Navegantes, em Santa Catarina, e também em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, tiveram de ser cancelados. As operações foram retomadas nesta quarta-feira.
O site da Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica informava na manhã desta quinta-feira (20) que as cinzas do vulcão não influenciavam as operações no Afonso Pena e nem nos aeroportos de Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS).
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