
O dia 8 de agosto apresenta um motivo extra para escolher adequadamente o cardápio do almoço de domingo. Além da homenagem aos pais, a data marca o Dia Nacional de Controle do Colesterol. Longe de ser desmancha-prazeres, mas talvez o melhor presente para toda a família seja trocar a suculenta costela por carnes magras grelhadas e uma salada variada e nutritiva.
As consequências do consumo de alimentos ricos em gorduras, que se acumulam nas paredes internas dos vasos sanguíneos, obstruindo a circulação, podem surgir de repente. O bloqueio parcial ou total do vaso sanguíneo amplia o risco de um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC).
"Doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte entre brasileiros. E o conjunto de maus hábitos pode impactar em outras comorbidades, agravando o quadro de saúde, principalmente de quem tem mais de 60 anos", explica o endocrinologista Mauro Scharf, diretor do laboratório Frischmann-Aisengart/Dasa, de Curitiba.
O professor Antonio Douglas Villatore, de 68 anos, foi surpreendido por um infarto em 2002. Mesmo com uma rotina de exercícios físicos moderados e sem abusar da alimentação, ele coleciona seis stents espécie de tubo dilatador, aplicado dentro do vaso sanguíneo para conter a obstrução provocada por placas de gordura e precisa tomar vários remédios para reduzir riscos de novos eventos cardiovasculares. "Nunca tinha feito exames para controlar o colesterol. Mas sempre fui muito agitado, com a rotina das aulas e da escola. Hoje, reduzi o ritmo do trabalho e tomo medicamentos para manter o colesterol normal, evitar a pressão alta, controlar a arritmia cardíaca e afinar o sangue. Não abuso da alimentação e só dei um tempo na esteira por causa de uma lesão no calcanhar", ensina.
Mulheres
A análise dos exames de 17.060 pacientes idosos do laboratório Frischmann-Aisengart/Dasa mostra que as mulheres têm razões extras para se preocupar com o descontrole das taxas de colesterol. O levantamento, realizado a pedido da Gazeta do Povo, aponta que entre os maiores de 60 anos, 57% das mulheres apresentaram níveis normais do componente, contra 71% dos homens.
Essa diferença é reflexo de um comportamento tipicamente feminino. Educadas desde a adolescência a cuidar da saúde a primeira menstruação as leva para o consultório ainda por volta dos 13 anos , as mulheres são acostumadas a exames médicos periódicos ao longo da vida. "Elas são mais atenciosas com a própria saúde e a amostra confirma essa preocupação: fazem mais exames do que os homens, mas também correm mais riscos que eles", explica Scharf. A variação hormonal ao longo da vida fértil, definida pelos ciclos menstruais, o consumo de anticoncepcional e fatores associados como estresse e obesidade, colocam as mulheres no grupo de risco de colesterol acima da normal ou alto.
Controle
A mudança dos hábitos de vida é uma das regras essenciais para o colesterol não ser uma ameaça à saúde. Atividade física controlada e monitorada e um cardápio sem gorduras saturadas, com alimentos naturais no lugar dos industrializados são as indicações médicas. "Esse padrão reduz a exposição ao risco de colesterol alto", diz o médico.
Há casos de pacientes com alteração nas taxas em que só a mudança de hábitos não é suficiente. São os portadores de deslipidemia genética, em que o indivíduo é magro, ativo, com alimentação sem riscos e ainda assim com altos níveis de colesterol. "Esses pacientes têm dificuldade na eliminação da gordura e ficam expostos ao risco por períodos muito mais longos, em geral, desde a infância. É uma forma perigosa, que precisa ser monitorada permanentemente e, muitas vezes, só é descoberta em exames de rotina", diz.
A recompensa para a vidinha regrada na alimentação e a prática de exercícios pode demorar para aparecer. E a ideia é que isso ocorra ao longo da vida. No mesmo levantamento realizado na base de pacientes do laboratório, os mais velhos são os que têm melhores índices de controle dos níveis de colesterol. "Isso mostra que, quem se cuida, chega à maturidade com muito mais saúde", diz o médico.




