No dia 29 de setembro deste ano, o presidente Lula assinou o decreto que prevê o cronograma de implantação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em nosso país. Agora que a questão se tornou oficial, é importante guardarmos bem as seguintes datas: a partir de 1º de janeiro de 2009, as novas regras começarão a ser usadas, mas somente a partir de 1º de janeiro de 2013 a nova ortografia passará a ser, em definitivo, a única oficial. Trocando em miúdos: teremos quatro anos em que algumas regras vão conviver lado a lado, às vezes em um mesmo jornal, às vezes em um mesmo documento.
Ao assinar o decreto, o presidente oficializou um acordo que, para muitos, chega com um atraso significativo. Em 1986 representantes de países falantes do português se reuniram para discutir o assunto, mas as propostas pareceram radicais: alguns queriam acabar com os acentos de todas as palavras paroxítonas e proparoxítonas. Aí não houve consenso mesmo.
Em 16 de novembro de 1990, as novas regras que vamos pôr em prática foram definidas consensualmente por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, países que formam agora com o caçula Timor-Leste a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Previa-se, no documento assinado, que em 1994 a nova ortografia já entraria em vigência. Houve recuos daqui e dali e só agora o acordo saiu do papel, ou melhor, entrou definitivamente nos papéis.
Os ajustes propostos pretendem unificar 98% do vocabulário geral do português. Mais unida, a língua portuguesa se candidata a ser uma das línguas oficiais da ONU. Esse é, aliás, um dos principais argumentos dos defensores do acordo. Enquanto esse sonho não se concretiza, nos restam 2% de diferença. Dá para fazer um monte de coisa.
Adilson Alves é professor.



