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A morte de Nelson Mandela atraiu os olhos do mundo para o legado do líder sul-africano, talvez o último grande estadista. O magnetismo do Madiba, porém, não pode ser explicado tão-somente pela vitoriosa luta contra o odioso regime de segregação racial do Apartheid. O que nos identifica com Mandela é que sua maior virtude, habilmente usada na política, está ao alcance de todos: a capacidade de perdoar. Ele passou 27 anos preso e, ao se eleger presidente, buscou a reconciliação com seus algozes – um exemplo para a nação inteira. É exatamente por isso que ele se agiganta. Dar perdão é uma atitude emocionalmente difícil, que faz parte do seleto grupo dos gestos humanos mais nobres.

Perdoar, literalmente, é a maior doação que alguém pode fazer – muito mais do que se desfazer de fortunas destinando-as à caridade. Etimologicamente, o prefixo latino per, além de significar "através de", também guarda o sentido de realização máxima. Perfeito é algo feito na plenitude. Perdoar é a doação superlativa. A mesma construção é encontrada em outras línguas, como no inglês forgive – o que demonstra que a grandeza do perdão é universal.

Mas o gesto de perdoar não é apenas dar sem receber. O pagamento é sensação de se ver livre do peso do rancor e do ressentimento para caminhar adiante. Isso exige, obviamente, uma contrapartida prévia: o arrependimento daquele que causou a ofensa ou a injustiça, além da vontade manifesta de reconhecê-la. Não é, portanto, uma decisão unilateral. É um acerto que, em última análise, fundamenta as convivência humana, a civilização. Sem a expiação dos erros e a reconciliação entre os homens, não haveria família, comunidade, nação.

Essa foi a grande sabedoria de Mandela. Ele compreendeu que a África do Sul se dissolveria numa guerra civil entre negros e brancos se prevalecesse o sentimento de vingança. Madiba trouxe para o país um valor que todos, do homem mais simples ao mais poderoso, poderiam compartilhar – ajudando assim a construir uma sociedade com pequenos gestos cotidianos. Fez mais que Política com P maiúsculo. Relembrou a humanidade sobre o valor do perdão.

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