
As recordações acordam em nossas memórias quando menos se espera. Lembro perfeitamente daquele final do ano de 1972, quando recebi a visita de dois ilustres cidadãos: o engenheiro Antônio Amazonas e o médico Alvir Riesemberg. Vieram ambos a minha casa à procura de fotografias da navegação no Rio Iguaçu existentes no acervo histórico próprio.
O fato da tal busca se prendia à comemoração do aniversário de 90 anos da instalação da navegação fluvial nos rios Iguaçu, Potinga e Negro, quando foi lançado às águas, no dia 17 de dezembro de 1882, o vapor "Cruzeiro", pelo coronel Amazonas Marcondes. O vapor ganhou esse nome por ter o ilustre cidadão uma fazenda em Palmas com o mesmo nome. A embarcação serviria para transportar sal para o gado da fazenda. Transporte esse feito entre Porto Amazonas e Porto União da Vitória. Seria o princípio de 71 anos que durou a navegação naqueles rios, tendo sido extinta em 1953.
As palestras dos drs. Alvir e Antônio foram realizadas nas dependências do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, em dezembro de 1972, e versou sobre o coronel Amazonas Marcondes, ancestral do dr. Antônio, e sobre a navegação, em torno da sua existência, pelo dr. Alvir. Foi a primeira, e talvez a última, vez em que foi feita uma dissertação tão detalhada a respeito daquele meio de transporte fluvial.
Nas ditas conferências, os ilustres historiógrafos dissecaram todos os momentos e fatos importantes acontecidos através do percurso histórico dos velhos vapores, que foram muitos. Depois do pioneiro "Cruzeiro", vieram "Visconde de Guarapuava", "São Carlos", "Curitiba", "Vitória", "Iguassu", "Pery", "Palmas", "Paranaguá", "Paraná", "Rio Negro", "Sara", "Leão", "São João", "Araucária", "Tibagi", "Amazonas", "Piraí","Tupi" e "Três Barras".
Além dos vapores citados, cuja lista acima se acredita incompleta, existiam navegando lanchões movidos a gasolina em número de nove embarcações. A navegação trouxe para o vale do Rio Iguaçu notável progresso, durante o tempo que existiu, e facilitou a fixação do imigrante europeu nas mais diversas colônias fundadas às margens das vias fluviais. Principalmente, o transporte das produções agrícolas, especialmente da erva-mate e da madeira.
Para contar detalhadamente o que significou a navegação dos rios do Vale do Iguaçu, seria necessário que se fizesse uma publicação de bom volume, principalmente com ilustrações, para que tal saga pioneira não se perdesse no limbo da história, como tem acontecido com outros episódios importantes do nosso passado.
Aproveito para agradecer as correspondências e telefonemas com que foram brindadas as publicações do domingo que passou, referentes ao aniversário de 20 anos desta página.










