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Nostalgia

No tempo dos cinemas

Aspecto da frente do Cine Curitiba, em 1950 |
Aspecto da frente do Cine Curitiba, em 1950 (Foto: )
Dois folhetos de propaganda. O primeiro do Éden Cinema, na década de 1910... |

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Dois folhetos de propaganda. O primeiro do Éden Cinema, na década de 1910...

...e o segundo, de 1925, com propaganda dos cines Central e América |

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...e o segundo, de 1925, com propaganda dos cines Central e América

Cine Broadway, que funcionava no mesmo prédio junto ao Café para Todos. Ambos desapa­­rece­­ram. O prédio foi demolido em 1972 |

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Cine Broadway, que funcionava no mesmo prédio junto ao Café para Todos. Ambos desapa­­rece­­ram. O prédio foi demolido em 1972

Francisco Morilha (Paquito) e Antônio Morilha Jimenes, de terno branco, em frente do Cine Curitiba |

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Francisco Morilha (Paquito) e Antônio Morilha Jimenes, de terno branco, em frente do Cine Curitiba

Cine Odeon e Ópera, no tempo em que a Avenida Luiz Xavier foi substituída pelo nome de João Pessoa |

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Cine Odeon e Ópera, no tempo em que a Avenida Luiz Xavier foi substituída pelo nome de João Pessoa

Fachada do Cine Avenida, na década de 1950 |

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Fachada do Cine Avenida, na década de 1950

Cine Luz, na Praça Zacarias. Saída de uma matinê de domingo, em 1945 |

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Cine Luz, na Praça Zacarias. Saída de uma matinê de domingo, em 1945

Cine Avenida e a Confeitaria Guairacá pouco antes de desaparecerem do cenário curitibano, no final da década de 1970 |

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Cine Avenida e a Confeitaria Guairacá pouco antes de desaparecerem do cenário curitibano, no final da década de 1970

Nesta página da Nos­­talgia, gosto de acompanhar as lembranças e relembranças dos leitores que rebuscam suas memórias participando deste tapete mágico em voo direto aos tempos idos, cujas recordações transformam o tapete numa colcha de retalhos do passado de cada um. Muitas vezes a viagem, nos detalhes de alguma foto publicada, causa afloração de fatos ocorridos, cujas reminiscências são um prazer para nosso coração.

A Gazeta do Povo recebe, to­­dos os dias, as correspondências destinadas à Nostalgia. Muitas sugerindo abordagens de antigos aspectos e até mesmo costumes da velha Curitiba. Foi com satisfação que me chegou às mãos o e-mail enviado pelo Ro­­berto Muggiati, primo velho de guerra, com quem trabalhei aqui na Gazeta do Povo no início da minha carreira de jornalista, isto em 1958. A saudade que ele tem da infância e juventude em Curitiba é uma nostalgia mais reforçada, pois há longos anos reside no Rio de Janeiro.

Tocou o coração do Roberto ao ver uma foto onde aparece o Cine Broadway. Afloraram as recordações do seu tempo de piá, segundo as suas palavras: "... Ain­­da garoto – 7, 8 anos, 1945, 1946 – eu frequentava o ‘superpoeira’, onde fazia escambo de gibis na calçada e depois encarava uma meia dúzia de filmes B e seriados. Vale um registro do cinema que fechou cedo, passando a hegemonia da nossa Cinelândia (a então Avenida João Pessoa) para o Ópera, Avenida e Palácio".

Além de ter sido frequentador, como o Roberto, dos velhos pulgueiros da cidade – o próprio Cine Broadway e mais os Cines Curitiba e Odeon –, fiquei co­­nhecendo a história das salas mais antigas, das décadas de 1910, 20 e 30, pelos re­­latos do velho e saudoso Ga­­vino, pai do Roberto.

Nossa viagem vai do Cinema do Coliseu Curitibano, de Fran­­cisco Serrador, e do Smart, de Annibal Requião, passando pelo Éden Cinema, que deu lugar para o Cine Central de Zanicotti & Foggiatto, que também possuía o América, que ficava onde ho­­je está o Banco do Brasil, e o Floriano. O Cine Imperial, o Pa­­lácio e o antigo Glória, depois Odeon, que foram explorados por Antônio Mattos Azeredo; o Ci­­ne Avenida, que teve como arrendatário J. Muzilo & Filhos. O Cine Ópera de David Carneiro, também proprietário do Cine Arlequim.

O mais famoso do meu tempo de piá foi o Cine Curitiba, que em princípio tinha o nome de Cine República. Mudou o nome quando assumiram o comando os irmãos Antônio Morilha Jimenes e Francisco Morilha, o "Paquito". O Cine Curitiba marcou época na infância curitibana até o ano de 1965, quando fechou. Ao lado do Curitiba existiu o Cine Amé­­rica, o segundo com este nome. Antes no local funcionou um rinque de patinação.

Destaque para o Cine Luz, de Henrique Oliva, que ficava na Pra­­ça Zacarias. O Luz foi inaugurado em fins de 1939 e desapareceu em violento incêndio ocorrido em abril de 1961. A firma H. Oliva era também proprietária dos cines Broadway, Palácio e Lido.

Vai aqui, portanto, uma pe­­que­­na memória dos nossos cinemas, que tanto deleitaram os curitibanos – quer como diversão quer como achego social. A nossa Cinelândia, que agora é conhecida como Boca Maldita, desapareceu no final dos anos setenta, quando o Cine Avenida, o último remanescente, deixou de funcionar. Fazem parte dessas reminiscências as lembranças do Gavino Muggiati, que foi, além de parente, nosso confrade no Instituto Histórico e Geo­­gráfico do Paraná.

N.R.: É com pesar que recebo hoje, sexta-feira, a notícia do falecimento do Dr. Abdo Aref Kudri, jornalista com quem tive a satisfação de trabalhar na fundação dos jornais Correio do Paraná e Correio da Noite em 1959. A imprensa do Paraná perde mais um de seus esteios e quanto a mim, particularmente, uma amizade feita há meio século.

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