
Nesta página da Nostalgia, gosto de acompanhar as lembranças e relembranças dos leitores que rebuscam suas memórias participando deste tapete mágico em voo direto aos tempos idos, cujas recordações transformam o tapete numa colcha de retalhos do passado de cada um. Muitas vezes a viagem, nos detalhes de alguma foto publicada, causa afloração de fatos ocorridos, cujas reminiscências são um prazer para nosso coração.
A Gazeta do Povo recebe, todos os dias, as correspondências destinadas à Nostalgia. Muitas sugerindo abordagens de antigos aspectos e até mesmo costumes da velha Curitiba. Foi com satisfação que me chegou às mãos o e-mail enviado pelo Roberto Muggiati, primo velho de guerra, com quem trabalhei aqui na Gazeta do Povo no início da minha carreira de jornalista, isto em 1958. A saudade que ele tem da infância e juventude em Curitiba é uma nostalgia mais reforçada, pois há longos anos reside no Rio de Janeiro.
Tocou o coração do Roberto ao ver uma foto onde aparece o Cine Broadway. Afloraram as recordações do seu tempo de piá, segundo as suas palavras: "... Ainda garoto 7, 8 anos, 1945, 1946 eu frequentava o superpoeira, onde fazia escambo de gibis na calçada e depois encarava uma meia dúzia de filmes B e seriados. Vale um registro do cinema que fechou cedo, passando a hegemonia da nossa Cinelândia (a então Avenida João Pessoa) para o Ópera, Avenida e Palácio".
Além de ter sido frequentador, como o Roberto, dos velhos pulgueiros da cidade o próprio Cine Broadway e mais os Cines Curitiba e Odeon , fiquei conhecendo a história das salas mais antigas, das décadas de 1910, 20 e 30, pelos relatos do velho e saudoso Gavino, pai do Roberto.
Nossa viagem vai do Cinema do Coliseu Curitibano, de Francisco Serrador, e do Smart, de Annibal Requião, passando pelo Éden Cinema, que deu lugar para o Cine Central de Zanicotti & Foggiatto, que também possuía o América, que ficava onde hoje está o Banco do Brasil, e o Floriano. O Cine Imperial, o Palácio e o antigo Glória, depois Odeon, que foram explorados por Antônio Mattos Azeredo; o Cine Avenida, que teve como arrendatário J. Muzilo & Filhos. O Cine Ópera de David Carneiro, também proprietário do Cine Arlequim.
O mais famoso do meu tempo de piá foi o Cine Curitiba, que em princípio tinha o nome de Cine República. Mudou o nome quando assumiram o comando os irmãos Antônio Morilha Jimenes e Francisco Morilha, o "Paquito". O Cine Curitiba marcou época na infância curitibana até o ano de 1965, quando fechou. Ao lado do Curitiba existiu o Cine América, o segundo com este nome. Antes no local funcionou um rinque de patinação.
Destaque para o Cine Luz, de Henrique Oliva, que ficava na Praça Zacarias. O Luz foi inaugurado em fins de 1939 e desapareceu em violento incêndio ocorrido em abril de 1961. A firma H. Oliva era também proprietária dos cines Broadway, Palácio e Lido.
Vai aqui, portanto, uma pequena memória dos nossos cinemas, que tanto deleitaram os curitibanos quer como diversão quer como achego social. A nossa Cinelândia, que agora é conhecida como Boca Maldita, desapareceu no final dos anos setenta, quando o Cine Avenida, o último remanescente, deixou de funcionar. Fazem parte dessas reminiscências as lembranças do Gavino Muggiati, que foi, além de parente, nosso confrade no Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.
N.R.: É com pesar que recebo hoje, sexta-feira, a notícia do falecimento do Dr. Abdo Aref Kudri, jornalista com quem tive a satisfação de trabalhar na fundação dos jornais Correio do Paraná e Correio da Noite em 1959. A imprensa do Paraná perde mais um de seus esteios e quanto a mim, particularmente, uma amizade feita há meio século.











