
Há leitores da Nostalgia que vibram com as viagens que esta página faz todos os domingos com destino ao passado. Uma verdadeira máquina do tempo viajando para as mais variadas épocas, através de velhas imagens gravadas pelos mais diversos fotógrafos que por aqui existiram.
Hoje, quem toma o comando desta turnê pelos tempos idos é o leitor Francisco de Barros Coelho. Seu desejo é dar um pulo até o cruzamento da Rua Marechal Floriano com a Marechal Deodoro, onde existia uma casa comercial conhecida como o Mercadinho do Candinho por sinal, pertencente ao avô do nosso ilustre leitor.
Quanto à memória do Francisco, deixo por sua própria conta. Entretanto, vou usar a minha para rememorar meu tempo de adolescência, quando frequentei aquele espaço pelo final da década de 1940. Com os meus 14 anos, trabalhei no Partido Social Democrático atendendo o serviço de estafeta entre o partido e muitos dos políticos componentes do mesmo. Dentre eles estava Otavio Lima, titular do 6.º Tabelião, que era estabelecido exatamente na esquina das Marechais, numa casa de dois pavimentos vis-à-vis com o Mercadinho do Candinho.
No subsolo do tabelionato existia a loja Lembranças de Curitiba, especializada no comércio de artefatos de madeiras, onde se realçavam as bandejas decoradas com asas de borboletas. Destacavam-se ainda, nas demais esquinas, a Casa da Pechincha e o Banco de Curitiba. Este era conhecido como o "banco dos corujas", em razão de que muitos dos funcionários trabalhavam durante o dia em outras repartições públicas e à noite iam fazer seus serões no banco.
Do mercadinho, lembro bem da sua variedade de mercadorias e do aroma das frutas maduras; as mercadorias ficavam penduradas na porta chamando a atenção dos passantes. Nesta época de meio de ano, a variedade de artigos juninos como traques, bombas, foguetes e toda a infinidade de fogos de artifício estava em oferta no Mercadinho de Candinho.
Quando comecei na imprensa foi no jornal Paraná Esportivo, cuja redação ficava na Rua Marechal Deodoro a poucos metros da esquina com a Floriano. Essas duas ruas eram vielas estreitas por onde circularam os bondes elétricos, até 1952. Tais veículos ajudavam a atravancar o trânsito dos demais. Ambas as Marechais foram alargadas em meados da década de 1960, sendo prefeito o engenheiro Ivo Arzua.
Durante algum tempo, antes de ser alargada, a Rua Marechal Deodoro era o ponto preferido pelas mariposas do trottoir durante a noite. Hoje, quem por ali transita não chega a imaginar o aspecto bucólico daquelas vias centrais da cidade dando a feição de uma urbe antiga onde o progresso tinha preguiça de se apresentar.










