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Nostalgia

Osório, praça velha de guerra!

Vista aérea da Praça Osório, em 1935 |
Vista aérea da Praça Osório, em 1935 (Foto: )
Repuxo acima do nível do solo, em 1920 |

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Repuxo acima do nível do solo, em 1920

O repuxo abaixo do nível, em 1947 |

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O repuxo abaixo do nível, em 1947

Detalhe da Osório com o repuxo no meio, em 1949 |

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Detalhe da Osório com o repuxo no meio, em 1949

Na década de 1960, quando seus esguichos ainda funcionavam |

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Na década de 1960, quando seus esguichos ainda funcionavam

O repuxo, em 2005 |

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O repuxo, em 2005

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O espaço existia tranqüilo, sem ninguém se importar. Parte chão de terra, parte banhado. Foi então a primeira mexida em 1905: o prefeito Luiz Xavier mandou ajardinar o ambiente, plantaram-se árvores e pelo meio uma alameda a cortou de leste a oeste, tendo no meio os trilhos dos bondes de mulas com destino ao Batel. Sempre bem tratada, foi batizada. Seu primeiro nome homenageou o herói militar, Largo General Osório.

O tempo foi passando, as árvores cresceram e o povo por ali transitava, descansava e namorava. Quase dez anos se passaram. Novo prefeito, o então engenheiro Cândido de Abreu, homem dinâmico, modernizou a Praça Tiradentes, construiu a Carlos Gomes e a Eufrásio Correia e, sem esquecer, remodelou a velha Osório.

Do seu meio, saíram os bondes de mulas. Agora eram os elétricos que contornavam a praça – afinal o espaço era do povo e não poderia ser dividido com tais veículos –, um belo relógio foi instalado, sem os ponteiros e o maquinário: a Europa estava em guerra e tal material apenas viria após o término da encrenca, em 1918.

Perto do relógio, mais para o canto esquerdo, foi colocado um artístico coreto onde se apresentavam retretas dominicais executadas pelas bandas então existentes na cidade. Era uma beleza, a arborização novinha e os jardins com desenhos caprichados: estava ali a nova Praça Osório.

O espaço, entretanto, não ficaria completo sem um belo chafariz. Bem no meio, redondo, enfeitado por uma troupe de sereias segurando peixes que esguichavam água por suas bocas, material artístico importado do Rio de Janeiro e pago com dinheiro tomado emprestado da Inglaterra. Aliás, tal verba estava sendo gasta no Brasil inteiro para enfeitar as urbes mais importantes.

Esta obra foi inaugurada em 1914. De todas as coisas que sobraram com o passar dos anos, foram as sereias. Cada prefeito que entrava foi mostrando serviço, redesenhando canteiros, mudando o arvoredo, implantando calçadas de petit-pavê. O repuxo esteve acima do nível do solo, depois ficou abaixo, aí nivelaram com o passeio e as sereias lá, subiam, desciam; enfim se acomodaram.

O curitibano passou a gostar daquelas criaturas, meio mulher, meio peixes. Afinal, encantavam sem precisar cantar. O imaginário infantil era agregado com as histórias contadas sobre aquelas belas criaturas. Gente grande também as admirava – o jornalista Nireu Teixeira conta que em seu tempo de juventude chegou a ficar apaixonado platonicamente por uma das sereias. Numa das mexidas feitas no repuxo, trocaram de lugar a dita musa e o Nireu, confundido, desistiu da sua paixão, afogando as mágoas na Confeitaria Stuart, do velho Mehl. As fotografias de hoje têm como atração o repuxo da Praça Osório, com suas encantadas sereias.

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