
É certo que não alcancei o tempo em que o bairro da Água Verde ainda era a Colônia Dantas. Muito menos quando era conhecido como o Quarteirão dos Paiva, isto por volta de 1850, cujos moradores não passavam de uma vintena de famílias de origem portuguesa. Em 1878, foi criada a colônia pelo então presidente da província, Manuel Pinto de Souza Dantas Filho. Mesmo assim me atrevo a dar um esboço daquela época.
A colonização foi feita por 36 famílias italianas, compostas de 166 pessoas aquinhoadas com lotes, fornecidos pelo município de Curitiba, na região cortada pelo Rio da Água Verde. Em homenagem ao seu fundador, denominou-se o local como a Colônia Dantas.
Ainda hoje grande parte dos moradores do bairro é descendente dos primeiros colonos, haja vista a quantidade de residentes que portam os sobrenomes dos pioneiros. O bairro possuía suas divisões com variadas nomenclaturas. Entre as atuais ruas Sete de Setembro e Silva Jardim localizava-se o Borghetto, cuja região era habitada por famílias como: Todeschini, Turin, Levorato, Sartori, Carraro, Vardânega, Rosseto, Tortato, Pizzatto, Scaramuza, Postai e outras.
O bairro da Água Verde possuía outras subdivisões como: Água Verde de Baixo e Água Verde de Cima. A dita de Baixo ia da Igreja em direção à atual Avenida Kennedy, onde hoje é parte da Vila Guaíra. A de Cima vinha da Igreja em direção à atual Rua Iguaçu, para os lados do Capão da Amora. A extensão da antiga Colônia Dantas fazia divisa com a atual Rua Marechal Floriano, da qual os terrenos da Família Parolin eram parte. O bairro foi posteriormente subdividido, surgindo as vilas Isabel e Guaíra.
Um reduto de italianos não pode existir sem uma igreja católica: em maio de 1886, foi rezada a primeira missa na Paróquia da Água Verde, a cerimônia aconteceu na residência de Antônio Bonato, oficio religioso realizado pelo padre Pedro Colbachini. A mesma família Bonato cedeu terreno onde foi construída uma capela de madeira, sendo substituída pela igreja de alvenaria inaugurada em junho de 1888. Essa igreja, verdadeiro marco da colonização italiana, com sua torre sineira separada do corpo do templo, foi, infelizmente, demolida no início da década de 1950.
Complementavam os preceitos católicos dos colonos uma capela e o cemitério. A capelinha da Água Verde foi construída em 1879 pelo casal Ana e Luiz Moletta e reconstruída em 1891 por Sebastião e Maria Moletta. A capelinha ficava na esquina da Avenida Água Verde com a República Argentina. Em meados da década de 1950 a histórica capelinha foi afastada e remodelada. Hoje ainda existe uma segunda capela de maior porte.
Em 1886 foi inaugurado o Cemitério da Água Verde, que em princípio funcionou em apenas um lote de terreno e era administrado pela Paróquia do Sagrado Coração de Jesus. O primeiro sepultamento se deu em 1888, com o falecido José Delassari. Com o passar dos anos, em 1928, a prefeitura assumiu a direção do cemitério, aumentando-o com aquisição de terrenos vizinhos.
Para ilustrar a Nostalgia deste domingo, estamos usando as seguintes fotografias: Vista geral de parte do bairro da Água Verde, feita da Avenida Iguaçu em direção ao sul. Este lugar era conhecido como o Campo da Maternidade, por ficar nos fundos da mesma. As fachadas das casas que aparecem logo após ficavam de frente para a atual Rua Getúlio Vargas. Neste local era o leito do Rio Água Verde. A foto é de 1939.
Foto da Rua Bento Viana, tirada também da Avenida Iguaçu em direção à Igreja do bairro, em 1941. Fotografia da futura Avenida Água Verde, vendo-se à esquerda o cemitério, foi tirada em 1937.
Fotografia da capelinha da Água Verde feita em 1952. Na parte que era conhecida como Água Verde de Baixo, temos as fotos do Rio Água Verde sendo canalizado na confluência da Rua Iapó com a Rua Chile em 1954 e a Rua Santa Catarina em 1954.Temos ainda a fotografia feita da futura Praça do Japão em direção à Rua SaintHilaire em 1962 e a imagem aérea gravada em 1958 da Avenida Iguaçu para a Avenida Sete de Setembro, onde aparece parte do Colégio Santa Teresinha.










