
Produtores do Mato Grosso levantaram bloqueios para resistir contra a retirada das famílias da terra indígena Marãiwatsédé, no norte do estado, que foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Uma operação de reintegração de posse com homens da Força Nacional de Segurança e da Polícia Federal foi iniciada na última segunda-feira, mas a ordem de despejo ainda não foi totalmente cumprida.
Por causa das barreiras, há relatos de desabastecimento em várias cidades ao longo da BR-158, que liga Goiás, Mato Grosso e Pará. Ontem, entre 15 e 17 horas, os posseiros bloquearam a rodovia em Barra do Garças. Hoje, a interdição está programada para ocorrer entre 9 e 11 horas. Os produtores já fecharam a BR-158 em Ribeirão Cascalheira, Água Boa e Nova Xavantina. Também está previsto o fechamento de rodovias em Primavera do Leste e Rondonópolis ao longo da semana. O coordenador da operação policial, o inspetor Fabiano Jandrei da Polícia Rodoviária Federal, disse que "a situação é caótica e não há como a polícia resolver".
O bloqueio de rodovias já provoca desabastecimento em Alto Boa Vista, no nordeste do estado. Segundo os donos de três mercados, faltam produtos como gás, arroz e leite. O estoque de outros itens é suficiente para apenas dez dias, dizem os comerciantes. O bloqueio do entroncamento da BR-158 com a MT-242 completou oito dias ontem.
Confronto
Na terça-feira, segundo dia de remoção de posseiros, a chuva atrapalhou o trabalho dos oficiais de Justiça. Até o início da noite, a Polícia Federal não havia registrado confrontos como no dia anterior. Na segunda-feira, dois policiais ficaram feridos, segundo o governo federal. Não há informações sobre posseiros feridos.
Nestes primeiros dias, os moradores das cerca de 30 grandes propriedades devem ser retirados do local. Cerca de 2.430 pessoas vivem na terra dos índios Xavantes, expulsos pelo governo militar na década de 1960.



