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Comportamento

Congresso sobre adolescência discute pobreza e suicídio

Médicos, psicólogos, educadores, enfermeiros e assistentes sociais, entre outros profissionais, participarão do evento

Patrícia Guillon: agressão entre meninas está atrelada à exclusão | Varterci Santos/Gazeta do Povo
Patrícia Guillon: agressão entre meninas está atrelada à exclusão (Foto: Varterci Santos/Gazeta do Povo)

Pobreza, violência, drogas e doenças – esses são alguns dos problemas que também atingem os adolescentes e que se refletem na formação e no futuro deles. Para discutir esse e outros temas relacionados a essa fase da vida, a Sociedade Paranaense de Pediatria promove hoje e amanhã o 1º Congresso Paranaense de Adolescência. O evento terá a participação de profissionais de diferentes áreas, como médicos, psicólogos, educadores, enfermeiros e assistentes sociais.

Segundo a coordenadora do congresso, a médica Beatriz Bermudez, a decisão de realizar um evento como esse em Curitiba veio após a participação no 10º Congresso Brasileiro de Adolescência, ocorrido em Foz do Iguaçu no ano passado. "Os temas discutidos eram muito relevantes e mereciam um aprofundamento", argumenta. "Vamos retomar assuntos delicados e importantes, como o suicídio e a influência da pobreza na juventude." Segundo Beatriz, o suicídio é a terceira causa de morte entre os jovens, e muitas vezes os pais acreditam que o ato extremo está relacionado às alterações produzidas pela idade, quando na verdade está ligado a doenças psiquiátricas.

O congresso debaterá assuntos ligados à saúde dos jovens e mostrar como o ambiente pode influenciar no seu comportamento e na causa de algumas doenças. "Queremos discutir o impacto da pobreza na vida do adolescente, mostrar os malefícios que a falta de recurso financeiro acarreta para a formação física e mental deles", diz a coordenadora do Programa Adolescente Saudável da Secretaria Municipal de Saúde, Julia Cordellini.

De acordo com ela, muitos jovens de classe mais pobre sustentam suas família e chegam a utilizar o tráfico de drogas como forma de conseguir isso. "Uso de drogas traz outros riscos à saúde e gera agressão. Além disso, esses adolescentes são invisíveis para a sociedade, e a invisibilidade é a pior violência", comenta.

Pesquisa

O estudante Anderson Ramos dos Santos, de 15 anos, acredita ser um adolescente diferente. Estuda, trabalha e não concorda com as atitudes de grande parte dos meninos e meninas da sua idade. "Eles geralmente só querem zoar, tirar sarro da cara dos outros e avacalhar durante as aulas. Não gosto disso, me incomoda. Por isso prefiro andar com pessoas mais velhas", conta. Um episódio que aconteceu na escola em que estuda o deixou bastante chateado. Seus colegas de classe grudaram um bilhete nas costas de uma amiga sua, escrito "Me chute". Durante o intervalo, a menina recebeu vários pontapés. "Nunca esqueço disso, ficou marcado. Não concordo com esse tipo de atitude", diz Anderson.

Problemas como esse são comuns nessa fase, principalmente as chacotas e agressões morais. É o que os psicólogos chamam de bullying. "A violência escolar sempre foi vista como algo mais comum em meninos, mas nas meninas isso também acontece, só que de outra maneira", explica a psicóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Patrícia Guillon. Ela desenvolveu uma pesquisa sobre o assunto, que será apresentada no congresso por uma aluna sua, Rafaela Faria, estudante de psicologia. De acordo com Patrícia, a pesquisa mostrou que as meninas são mais sutis na agressão, e que ela geralmente está atrelada à exclusão de um grupo. "Se a menina não é bonita, se não tem dinheiro ou não pertence a uma patotinha, é excluída e vira vítima de agressão verbal ou até física. Se esse comportamento se repete, é o que chamamos de bullying". A psicóloga explica que a pesquisa ainda está em fase inicial, e que ainda é cedo para divulgar alguns dados.

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Serviço

O 1º Congresso Paranaense de Pediatria será na Sociedade Paranaense de Pediatria, na Rua Desembargador Vieira Cavalcante, 550, no bairro das Mercês.

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