
Os corpos de quatro vítimas do acidente ocorrido no início da tarde de quinta-feira (8), na rodovia BR-376, na região serrana de Guaratuba, no Litoral do Paraná, foram identificados até as 9h30 desta sexta-feira (9), segundo o Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba. Os outros três corpos recolhidos pelo IML de Paranaguá só serão identificados a partir de exames de DNA.
No início da manhã foram confirmados os óbitos de Rodrigo Antunes de Jesus, de 29 anos; Paulo Sérgio Nehues, de 41 anos; e de Ubiratan Barbosa Maia Vasconcelos, de 70 anos. Todos são naturais de Itajaí, Santa Catarina, de acordo com o IML. Posteriormente, o instituto identificou o corpo de Joel da Silva, de 35 anos, mas não foi divulgada a cidade de nascimento dele.
O desastre ocorreu por volta das 13h10 de quinta-feira, no quilômetro 674 da pista sentido Sul (Paraná-Santa Catarina) da BR-376. O local do acidente é uma descida logo após a Curva da Santa, em um trecho de serra. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), quatro caminhões e quatro automóveis se envolveram na ocorrência.
O acidente foi causado por um caminhão que perdeu o controle, depois de seus freios terem sofrido superaquecimento. O veículo desceu arrastou os outros carros e caminhões, que estavam parados ou trafegavam em baixa velocidade por causa de dois acidentes sem gravidade que haviam sido registrados minutos antes na estrada.
"A estrada estava muito bem sinalizada e ele [o motorista do caminhão que provocou o acidente] desceu desembestado, arrastando todo mundo", disse o delegado Lúcio Lugli, da Polícia Civil, responsável pelo inquérito.
O caminhão que causou o desastre transportava 14 toneladas de telhas de cimento-amianto e tubos de PVC. Por causa das colisões, alguns veículos pegaram fogo e três dos mortos tiveram os corpos totalmente carbonizados. Sete pessoas ficaram feridas. Três delas são funcionários de uma empresa terceirizada que presta serviços à Autopista Litoral Sul. Eles estavam às margens da rodovia e prestavam atendimento às ocorrências anteriores à colisão com o caminhão. Os três são naturais do Maranhão, mas os nomes não foram divulgados.
Eles foram atendidos no Hospital São José, em Joinville (SC). Dois tiveram alta ainda na tarde de quinta-feira. O outro permanece sob observação, e sob suspeita de que tenha sofrido uma fratura na coluna cervical. As outras vítimas foram atendidas no local do acidente e não precisaram ser hospitalizadas.
Motorista foi solto
O motorista do caminhão Paulo Roberto de Oliveira Santos, 39 anos, foi detido logo depois do acidente e encaminhado à delegacia de Guaratuba. Ele foi indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). O delegado Lugli arbitrou fiança de R$ 3 mil. O valor foi pago no início desta sexta-feira e o caminhoneiro foi liberado.
A polícia considera que, apesar de não ter tido intenção de provocar o acidente, o caminhoneiro causou as mortes por "imperícia e imprudência". Em depoimento, o motorista alegou que os freios do caminhão tiveram falha mecânica. O veículo será periciado pelo Instituto de Criminalística (IC), que poderá comprovar de houve algum tipo de pane no sistema de freios.
"Se houve falha mecânica, pode ser um atenuante do ponto de vista criminal. Mas as responsabilidades civis da transportadoras podem ser pesadas, porque era obrigação dela manter o veículo em condições de funcionamento", observou o delegado. A empresa não tem seguro, segundo a Polícia Civil.



