Brasília Sob aplausos dos oposicionistas e protestos indignados dos petistas, o relatório final da CPI dos Correios foi finalmente aprovado por 17 a 4. Prevendo o resultado desfavorável, o PT e o PMDB tentaram obstruir a sessão e não votaram. Foram feitas 35 alterações de última hora.
O relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), não aceitou as modificações propostas pelo PT e manteve a existência do mensalão para a compra de apoio parlamentar e que o esquema foi abastecido pelo Banco do Brasil, por meio do fundo Visanet.
O documento manteve a afirmação de que não há provas para acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter sido omisso em relação ao mensalão, embora ressalte que ele não teria dificuldade em perceber o esquema.
Com 1.839 páginas, o documento pede o indiciamento de ao menos 118 pessoas. Entre elas, dois ex-ministros da equipe de Lula por suposta corrupção ativa (José Dirceu e Luiz Gushiken), além do publicitário Marcos Valério de Souza e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, apontados como responsáveis pela operação do esquema de financiamento.
Entre as 35 alterações está a inclusão no relatório de trecho esclarecendo que o PT contesta o caráter público do fundo Visanet o Banco do Brasil possui um terço das cotas desse fundo. A maioria das alterações é técnica.
Serraglio excluiu dos pedidos de indiciamento o ex-presidente do Banco do Brasil Cássio Casseb, que era acusado de condescendência criminosa, dizendo que o crime estava prescrito. Fez o mesmo com o vice-governador de Minas, Clésio Andrade (PTB), e com o presidente dos Correios, Jânio Pohren.
Ele cancelou ainda os pedidos de indiciamento dos dois principais investigados por irregularidades na exploração de franquias dos Correios, Armando Ferreira Cunha e João Leite Neto.



