A prefeitura de Bocaiúva do Sul, na região metropolitana de Curitiba (RMC), fechou ontem a cratera aberta numa estrada rural que liga o município a Colombo. Foram jogados 20 caminhões de pedra e areia no buraco, que, de domingo para segunda-feira, aumentou de cinco para nove metros de profundidade (por cinco de diâmetro).
O fechamento da cratera foi tratado como prioridade pela prefeitura para evitar acidentes como o que ocorreu na madrugada de domingo, quando um homem alcoolizado caiu no buraco e quase morreu afogado. Durante a operação de fechamento, o trânsito na estrada rural foi interrompido.
Segundo a Mineropar, o fenômeno pode ter sido causado por três fatores. "O problema pode ser decorrente da seca que assola o estado nos últimos meses; da extração de água feita pela Sanepar (no Aqüífero Karst); e da trepidação causada pelo tráfego de caminhões", informou o diretor-técnico Rogério da Silva Felipe.
A causa do acidente geológico deve ser divulgada amanhã, mas a Sanepar já se antecipou, descartando que o motivo seja a exploração do poço artesiano. Mesmo com a negativa da Sanepar, o secretário de Obras de Bocaiúva do Sul, Eli Mocelin Ceccon, sustenta que "tudo está acontecendo por causa do poço". O buraco surgiu na terça-feira passada e a prefeitura tentou fechá-lo na quinta-feira, jogando onze caminhões de pedra. No entanto, o buraco aumentou e surgiram as primeiras rachaduras nas casas próximas. Apesar do receio dos moradores, o geólogo Rogério Felipe informou que a situação requer paciência e muita observação. "A única solução é tapar o buraco e monitorar. É preciso ver se a cratera avança para as casas. Olhar também as rachaduras no solo. Se o colapso (buraco) aumentar e surgirem rachaduras na direção das casas, vamos pedir para que as pessoas saiam", afirmou.
A Sanepar informou que monitora a extração da água e a segurança do reservatório natural existente na região. Segundo nota oficial, "a localidade de Campininha encontra-se em uma região de várzea do Rio Capivari, na área do Aqüífero Karst, extremamente frágil". Em 1998, durante convênio técnico, várias dolinas (formação natural de buracos nos terrenos) foram mapeadas.
Élcio Berti, ex-prefeito de Bocaiúva do Sul, lembrou que há cerca de nove anos uma represa e uma árvore com dez metros de altura desapareceram num fenômeno semelhante. "Ele aconteceu na localidade de Potreirinhos, a cerca de 10 quilômetros de onde surgiu a nova cratera."



