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Segurança

Curitiba é a 6.ª cidade com maior risco de mortes violentas

Curitiba é a sexta cidade brasileira onde há mais riscos de mortes violentas no país (por homicídios, armas de fogo sem causa determinada, suicídios e acidentes de trânsito). É o que aponta o ranking feito pelo Ministério da Saúde, com base em dados do ano passado, tendo como referência pesquisas feitas a partir do ano 2000. A capital paranaense está entre as cem cidades brasileiras com população acima de 100 mil habitantes que concentram um terço das mortes violentas no país.

O estudo do Ministério da Saúde mostra ainda que aumentou, no período, o número de homicídios e suicídios na capital, embora a tendência seja de queda no país. Foram 590 assassinatos na cidade, no ano passado, contra 335 em 2000, e 55 suicídios em 2000, contra 96 em 2004. No ranking da violência urbana, os dez primeiros da lista são São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Brasília (DF), Curitiba (PR), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Serra (ES) e Foz do Iguaçu (PR) – a única que não é capital.

Embora estejam no topo da lista, São Paulo e Rio de Janeiro conseguiram reduzir suas taxas de homicídios, comparando os dados de 2000 e 2004. Segundo o estudo, Campinas (SP), Diadema (SP), Guarulhos (SP), Jaboatão dos Guararapes e Olinda (PE) deixaram a lista das localidade mais violentas do país, sendo substituídas por Curitiba (PR), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Serra (ES) e Foz do Iguaçu (PR).

Ao todo, o cálculo envolve 249 municípios, onde vivem 94,6 milhões de pessoas. De acordo com o estudo, das 126.211 mortes registradas no ano passado em todo o Brasil, 53.849 foram registradas nas 100 cidades – 60,2% foram homicídios. O peso maior no cálculo é para assasinatos e mortes por arma de fogo sem causa determinada, e o menor para suicídios e acidentes.

Desigualdade social

De acordo com o médico Otaliba Libânio de Morais Neto, diretor do Departamento de Análise e de Situação de Saúde do ministério, a violência tem como fator principal a desigualdade social e os aglomerados urbanos existentes nas capitais e nas regiões metropolitanas. A exceção é Foz do Iguaçu, área de fronteira.

Segundo o Ministério da Saúde, os índices de mortes violentas têm caído no país. A queda foi de 45 mil mortes em 2002 para 41 mil em 2004. As taxas por 100 mil habitantes baixaram de 69,9 em 2002 para 62 por 100 mil em 2004. Já em Curitiba, a taxa subiu de 53,33 em 2002 para 65,91 em 2004. Em números absolutos, saltou de 878 para 1.119, respectivamente.

O ranking do Ministério da Saúde vai servir de base para um estudo nacional de combate à violência. O ministério começou a discutir o assunto no ano passado. O primeiro passo nesse sentido foi a criação da rede nacional de combate à violência, que agrega universidades, entidades civis, secretarias municipais e estaduais que vão discutir ações locais de combate à violência. Para as ações, o órgão já liberou R$ 3,5 milhões. O papel da rede será realizar ações locais ou estudos que contribuam para a diminuir esses índices e ainda dinamizar a rede em âmbito nacional na perspectiva de prevenção da violência.

Crítica

O secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, criticou a forma como o ministério divulgou o ranking, dizendo que o número de homicídios registrados em Curitiba está errado. "Curitiba não ocupa o sexto lugar no ranking, porque quase metade das mortes foram por acidente de trânsito e suicídio. Além disso, a Delegacia de Homicídios registrou só 511 assassinatos no ano passado; a pesquisa aponta 590. Não sei dizer porque ele está errado (a diferença pode ser porque a maioria das pessoas feridas na região metropolitana é atendida em hospitais da capital). Sem os acidentes, Curitiba cai para a 66.ª posição em criminalidade", afirmou o secretário.

Sobre o aumento do número de homicídios em Curitiba nos últimos quatro anos, de 335 em 2000, para 590 em 2004, Delazari atribuiu isso à "propaganda enganosa" feita por governos anteriores, que atraiu centenas de milhares de pessoas à grande Curitiba. Ele disse que a metade das mortes tem como causa o tráfico de drogas: "É bandido que mata bandido". Delazari afirmou ainda que a situação de Colombo e Pinhais, que estão entre as 100 com mais registros de mortes violentas, é reflexo da explosão demográfica dos últimos quatro anos. Segundo o secretário, Foz do Iguaçu só é a décima do ranking porque o tráfico de drogas e armas, na região de fronteira, é responsável por 80% dos homicídios.

Preocupação

O vice-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, classificou como preocupante o salto de Curitiba, que passou num ano do 12.º para 6.º lugar no ranking. Ele atribui os números elevados principalmente a problemas com a segurança pública, além do aumento da população e a questões sociais. "O número é alto porque o sistema de informação de Curitiba é sério: o município não maquia os seus números. O que mais nos preocupa é o número de homicídios, uma vez que as mortes por acidente de trânsito estariam caindo.

Já o Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Paraná informou que registrou 84 mortes somente nos locais de acidentes no ano passado. A diferença de 84 para as 425 ocorre porque a maioria das vítimas dos acidentes morre em hospitais. Para diminuir os números de mortes e acidentes, o Detran e a prefeitura de Curitiba estão fazendo campanhas educativas, fiscalizando o excesso de velocidade, entre outras ações.

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