
A primeira chacina do ano na Região Metropolitana de Curitiba, ocorrida ontem em Araucária, engrossou com quatro mortes o número de homicídios múltiplos registrados no estado. Nos últimos cinco anos, 65 pessoas morreram em 12 chacinas registradas no Paraná. Porém, mais da metade desse número 34 mortos em seis ações criminosas se concentrou em 2008.
Em homicídios simples e duplos, o ano de 2009 já começa com uma contagem alarmante. Com os números da madrugada de ontem, levantamento feito pela Gazeta do Povo mostra que a quantidade de assassinatos em Curitiba e região metropolitana ocorridos nos 12 primeiros dias do ano praticamente dobrou em relação ao mesmo período do ano passado. De 1º a 12 de janeiro, a região já acumula 61 mortes violentas, seja com arma de fogo, arma branca ou por meio de agressões, contra 32 mortes violentas registradas no mesmo período do ano passado um aumento de 90,6%. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) foi contatada para comentar os números, mas às 18h30 de ontem a assessoria informou que não conseguiria retornar em função do horário.
Autoridades de segurança pública costumam alegar que chacinas são fatos isolados, decorrentes de acerto de contas do tráfico de drogas. Mas o crime de ontem tem ligações mais profundas segundo dados da polícia, quatro membros da mesma família foram mortos em três ações distintas desde o fim de dezembro. Ontem, os irmãos Josiele Nascimento de Lima, 16 anos, e Elevir Nascimento de Lima, 19 anos, conhecido como Polaco, eram dois dos quatro assassinados na casa que funcionava como ponto de tráfico de drogas. No dia 23 de dezembro, segundo informações de familiares, Claudinei Nascimento, de 35 anos, também foi morto a tiros. Ele havia recém saído da detenção.
Por fim, das vítimas de um duplo homicídio ocorrido no dia 31, também em Araucária, um deles teria parentesco com a família. Segundo o delegado da Polícia Civil de Araucária, Rubens Recalcatti, no último dia do ano Tiederson Martinho Paludo e Juliano Pereira, ambos de 25 anos, foram liberados da colônia penal. Na noite de réveillon foram encontrados mortos.
"Ambos eram traficantes. A informação que temos é que eles teriam tomado uma biqueira (ponto de droga) em Araucária e sofreram um acerto de contas logo que saíram. Informantes disseram que Tiederson seria parente do Polaco e de Josiele, e, se isso se confirmar, significa que existe um elo de ligação entre o assassinato desses dois com a chacina de hoje", disse.
Segundo Recalcatti, chacinas são mais difíceis de ser solucionadas porque as pessoas têm muito medo de compartilhar informações com a polícia. "Chacinas são vinganças entre traficantes. São feitas para matar todo mundo com um golpe e encerrar o assunto. Ela mostra determinado poder, na circunstância de querer mostrar que se pisar na bola, morre", ilustra.



