
O número insuficiente de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pode ter influenciado no desfecho trágico da busca do músico Emerson Antoniacomi, de 41 anos, por um leito. Seus familiares aguardaram por 35 horas por uma vaga após ele ter sofrido um acidente vascular cerebral. Atualmente, a Região Metropolitana de Curitiba que engloba a capital e outros 28 municípios não atende ao número mínimo de leitos recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Seriam necessários pelo menos mais 200 para atender plenamente os quase 3,2 milhões de habitantes. A OMS recomenda que haja 330 leitos para cada grupo de 1 milhão de pessoas.
Somente cinco das 29 cidades que fazem parte da região possuem leitos de UTI. Aproximadamente 85% das 861 unidades sendo que 512 atendem ao Sistema Único de Saúde (SUS) estão ocupadas. A escassez de leitos em outras cidades da região faz com que os moradores de outros municípios busquem atendimentos na capital do estado.
O assessor especial de gestão do gabinete do prefeito de Curitiba, Matheos Chomatas, confirma que o número de leitos em toda a região é limitado. Segundo ele, grande parte das ocupações corresponde a casos pós-operatórios ou de vítimas de acidentes de trânsito. "A demanda por leitos de UTI tende a aumentar na medida em que a população envelhece", diz.
Chomatas explica que, apesar de cerca de 15% dos leitos de UTI normalmente estarem vagos, nem todos poderiam atender às necessidades médicas do músico. "Depende da necessidade do paciente: é preciso que no hospital para o qual seja encaminhado exista um especialista à disposição. Além disso, algumas dessas vagas são reservadas para UTIs neonatal e infantil", diz.
Porém, Chomatas concorda que é essencial instalar unidades de terapia intensiva em outras cidades da RMC. Segundo ele, há projetos para a implantação de leitos em Fazenda Rio Grande, Pinhais e Colombo. "Em Curitiba, já temos 10 novos leitos em funcionamento no Hospital do Idoso (Zilda Arns) e mais 14 entrarão em funcionamento até o fim de junho", promete.
Especialistas
Sem saber o número exato de médicos especialistas que atuam na Região Metropolitana de Curitiba, Chomatas acredita que, de uma forma geral, o número de profissionais é satisfatório. "O problema é que 50% deles estão na capital. Além disso, cabe aos hospitais com quais temos contratos terem os especialistas", ressalta.
Em relação aos questionamentos de falta de médicos em unidades básicas de saúde, o assessor especial da prefeitura acredita que é necessário contratar mais profissionais, mas rechaça que a falta de médicos possa ter contribuindo para o óbito do músico. "Temos problemas em algumas unidades, como Boqueirão, Sítio Cercado, Boqueirão e Cajuru. Na unidade em que ele foi atendido (Boa Vista) temos médicos em número suficiente", afirma. No entanto, a prefeitura abriu processo seletivo para contratar mais 290 médicos. As inscrições seguem até o dia 1º de junho.







