Desde ontem, as 520 pessoas que diariamente, em média, tentam tirar a primeira habilitação (CNH) ou mudar a categoria da carteira da motorista, em Curitiba, encontram novas regras no exame prático. Agora o candidato terá tempo máximo para fazer a prova de baliza e pode ser reprovado se cometer um erro considerado gravíssimo no percurso de rua.
As mudanças estão previstas na resolução número 168, de 14 de dezembro de 2004, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A implantação do novo modelo será feita pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR) nos demais municípios do estado de maneira gradativa até o início do segundo semestre.
De acordo com o diretor geral do Detran/PR, David Antônio Pancotti, as novas regras deixam o exame mais próximo da realidade. "No dia-a-dia o cidadão não pode ficar 20 minutos na rua tentando estacionar o carro e isso ocorria antes aqui no exame."
O tempo máximo para colocar o veículo na vaga será de cinco minutos para a categoria B (automóveis), seis minutos para as categorias C e D (caminhões e ônibus), e de até nove minutos para a categoria E (carretas). O candidato terá três chances para fazer a baliza no tempo determinado.
No percurso de rua, o candidato poderá ser eliminado se cometer infrações gravíssimas. Entre elas está o avanço sobre o meio-fio, desobediência à sinalização do semáforo e de parada obrigatória e excesso de velocidade, entre outras. O exame de moto também sofreu alterações. A distância entre os cones passou de 2,4 para 3,5 metros. O condutor que em um deles será eliminado.
Para a estudante Rafaela Cichaceweski, 19 anos, a pressão por passar pela terceira vez pelo exame prático ganhou mais intensidade por ocorrer justamente no primeiro dia das novas regras. "Complica mais a nossa cabeça. Aumenta o nervosismo", diz. Apesar da dificuldade, Rafaela comemorou com lágrimas a sua aprovação. "Mesmo assim eu não sou a favor das mudanças. Cinco minutos é muito pouco para fazer a baliza."
A atendente infantil Lucélia Kamaroski Batista, 23 anos, foi pega de supresa. "Fiquei sabendo hoje, quando cheguei à auto escola. Treinei as três tentativas, sem tempo limitado", diz. Lucélia não conseguiu realizar a prova da baliza e foi reprovada.
Para o professor de direito de trânsito da Faculdades Curitiba, Marcelo Araújo, a resolução n.º 168 deixa dúvidas. Uma delas seria a falta de definição para as tentativas na prova de baliza. "Até a questão de exceder a velocidade da via é subjetiva, porque o que mostra o velocímetro não é a velocidade real do veículo." Já para o professor de legislação de trânsito da Academia da Polícia Civil de São Paulo, José Almeida Sobrinho, a resolução precisa de modificações. "Mas já muda o perfil do exame, que busca uma padronização em todo o país."



