
Contar a história e a evolução dos transportes, desde a invenção da roda até as viagens espaciais, é a proposta de um novo museu que deverá ser inaugurado em 2011 na cidade da Lapa, na região metropolitana de Curitiba. Tombada pelo patrimônio histórico, a antiga estação ferroviária do município abrigará o Museu do Transporte, onde os visitantes poderão conhecer peças históricas e vivenciar experiências indescritíveis com recursos de realidade virtual.
"No simulador de trem de alta velocidade, as crianças se sentirão como se fossem o próprio maquinista", diz Márcio Assad, presidente da Comissão Especial de Organização e Instalação do museu, instituída por decreto do prefeito Paulo César Furiati. O empreendimento prevê ainda um passeio de 18 quilômetros entre a sede do município e a localidade de Lavrinhas, com um veículo leve sobre trilhos.
Segundo Assad, a velha estação será restaurada, e foram requisitadas peças ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), fiel depositário do acervo da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Entre as raridades expostas estarão documentos, material de expediente, relógios, bilhetadores de passagem e telégrafos. "Também reunimos objetos pessoais doados por famílias de ferroviários, como indumentárias, lanternas antigas e registros fotográficos", conta o presidente da comissão.
A Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferropar), estatal que opera a ferrovia Guarapuava-Cascavel, participa do empreendimento. "As estações ferroviárias da RFFSA foram abandonadas após a privatização, pois não há mais transporte de passageiros", lamenta o presidente da Ferroeste, Samuel Gomes.
Segundo Gomes, a ideia de criar o museu surgiu a partir de movimentos espontâneos de preservação e recuperação da memória. Para ele, o museu terá um papel didático: ao simular a experiência de um trem-bala para um público que nunca teve a oportunidade de viajar em trens modernos, a tecnologia ajudará a formar uma massa crítica, que reivindicará o benefício de um transporte rápido, confortável e seguro para o país.
O presidente da Ferroeste vê na "perversa matriz de transportes" um entrave ao desenvolvimento nacional. Defensor de uma malha ferroviária pública, Gomes afirma que o alto custo do transporte brasileiro, baseado quase unicamente em estradas de rodagem, mesmo para longas distâncias, prejudica muito mais as exportações do que qualquer medida protecionista adotada por países ricos. "Estudos mostram que, se os EUA reduzirem a tarifa de importação em 10%, o Brasil aumentará as exportações em 1,9%. Porém, se o Brasil reduzir em 10% o custo do transporte, as exportações crescerão 40%", compara.
A cidade e a ferrovia
A decisão de implantar o museu leva em conta a histórica ligação da Lapa com os transportes. A cidade nasceu com o caminho dos tropeiros entre o Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A ferrovia, por sua vez, chegou em 1891. Antes do trem, a ligação entre a Lapa e Curitiba era feita por diligências, em viagens que chegavam a durar até nove horas, conforme as condições do tempo.
Em 1980, a cidade participou do primeiro projeto de turismo ferroviário no Brasil, com uma litorina (automotriz) que fazia um passeio de nove dias entre Curitiba e São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Ainda na década de 80, foram iniciados os passeios de maria-fumaça entre a Lapa e Curitiba, que continuaram até a privatização das ferrovias da RFFSA, nos anos 90.








