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História

Da roda à viagem espacial

Antiga estação ferroviária da Lapa abrigará exposição permanente sobre a evolução do transporte. Espaço deve ser inaugurado em 2011

Estação Ferroviária da Lapa, tombada pelo patrimônio histórico: futura sede do museu |
Estação Ferroviária da Lapa, tombada pelo patrimônio histórico: futura sede do museu (Foto: )
Projeto prevê passeio de 18 quilômetros sobre trilhos, entre a Lapa e Lavrinhas |

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Projeto prevê passeio de 18 quilômetros sobre trilhos, entre a Lapa e Lavrinhas

Foto antiga da estação ferroviária |

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Foto antiga da estação ferroviária

Cerco da Lapa, em 1894: data histórica |

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Cerco da Lapa, em 1894: data histórica

Todos os modelos de transporte serão contemplados no museu |

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Todos os modelos de transporte serão contemplados no museu

A Lapa nasceu com o caminho dos tropeiros |

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A Lapa nasceu com o caminho dos tropeiros

Contar a história e a evolução dos transportes, desde a invenção da roda até as viagens espaciais, é a proposta de um novo museu que deverá ser inaugurado em 2011 na cidade da Lapa, na região metropolitana de Curitiba. Tombada pelo pa­trimônio histórico, a antiga estação ferroviária do município abrigará o Museu do Trans­porte, onde os visitantes poderão conhecer peças históricas e vivenciar experiências indescritíveis com recursos de realidade virtual.

"No simulador de trem de alta velocidade, as crianças se sentirão como se fossem o próprio maquinista", diz Márcio Assad, presidente da Comis­­são Especial de Organização e Ins­talação do museu, instituída por decreto do prefeito Paulo César Furiati. O empreendimento prevê ainda um passeio de 18 quilômetros entre a sede do município e a localidade de Lavrinhas, com um veículo leve sobre trilhos.

Segundo Assad, a velha estação será restaurada, e foram requisitadas peças ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), fiel depositário do acervo da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Entre as raridades expostas estarão documentos, material de expediente, relógios, bilhetadores de passagem e telégrafos. "Também reunimos objetos pessoais doados por famílias de ferroviários, como indumentárias, lanternas antigas e registros fotográficos", conta o presidente da co­­mis­­­são.

A Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferropar), estatal que ope­ra a ferrovia Gua­­rapuava-Cas­cavel, participa do empreendimento. "As estações ferroviárias da RFFSA foram abandonadas após a privatização, pois não há mais transporte de passageiros", lamenta o presidente da Fer­­roeste, Samuel Gomes.

Segundo Gomes, a ideia de criar o museu surgiu a partir de movimentos espontâneos de preservação e recuperação da memória. Para ele, o museu terá um papel didático: ao simular a experiência de um trem-bala para um público que nunca teve a oportunidade de viajar em trens modernos, a tecnologia ajudará a formar uma massa crítica, que reivindicará o benefício de um transporte rápido, confortável e seguro para o país.

O presidente da Ferroeste vê na "perversa matriz de transportes" um entrave ao desenvolvimento nacional. Defensor de uma malha ferroviária pública, Gomes afirma que o alto custo do transporte brasileiro, baseado quase unicamente em estradas de rodagem, mesmo para longas distâncias, prejudica muito mais as exportações do que qualquer medida protecionista adotada por países ricos. "Estudos mostram que, se os EUA reduzirem a tarifa de importação em 10%, o Brasil aumentará as exportações em 1,9%. Porém, se o Brasil reduzir em 10% o custo do transporte, as exportações crescerão 40%", compara.

A cidade e a ferrovia

A decisão de implantar o museu leva em conta a histórica ligação da Lapa com os transportes. A cidade nasceu com o caminho dos tropeiros entre o Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A ferrovia, por sua vez, chegou em 1891. Antes do trem, a ligação entre a Lapa e Curitiba era feita por diligências, em viagens que chegavam a durar até nove horas, conforme as condições do tempo.

Em 1980, a cidade participou do primeiro projeto de turismo ferroviário no Brasil, com uma litorina (automotriz) que fazia um passeio de nove dias entre Curitiba e São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Ainda na dé­cada de 80, foram iniciados os passeios de maria-fumaça entre a Lapa e Curitiba, que continuaram até a privatização das ferrovias da RFFSA, nos anos 90.

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