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Enchentes

Defesa Civil sai do papel em SC

Órgão existe em todos os municípios caterinenses, mas só funciona de verdade em 30% deles

Paulo Drun, coordenador da Defesa Civil de Ilhota, no Vale do Itajaí: órgão só começou a funcionar depois da tragédia | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Paulo Drun, coordenador da Defesa Civil de Ilhota, no Vale do Itajaí: órgão só começou a funcionar depois da tragédia (Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo)
Veja que serão distribuídos R$ 4,8 bilhões de verbas para prevenção de catástrofes |

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Veja que serão distribuídos R$ 4,8 bilhões de verbas para prevenção de catástrofes

Até novembro de 2008, Paulo Drun era secretário da Câmara Municipal de Ilhota (SC). So­­mente organizava as sessões em plenário e redigia atas – ofício executado entre quatro paredes. Quando ocorreram os deslizamentos de terra por causa da chuva, no ano passado, Drun acumulou a função de coordenador da Defesa Civil de Ilhota, órgão que até então existia só no papel. Ficou com uma missão e tanto: organizar o atendimento às vítimas do Morro do Baú, região mais afetada de todo o estado. Foi aprender o que fazer na prática, no meio da tragédia que matou 137 pessoas em Santa Catarina.

"Na época não me sentia preparado. Hoje, sim", diz Drun, que continua à frente da Defesa Civil de Ilhota. Segundo o secretário-executivo do Conselho da Defesa Civil Estadual, ma­­jor Emerson Emerin, essa situação é frequente. Ele diz que todos os municípios têm o órgão no pa­­pel, mas só 30% devem estar funcionando na sua plenitude. "É importante que a Defesa Civil esteja preparada para minimizar os danos", afirma Emerin.

A Defesa Civil de Ilhota começou a funcionar efetivamente neste ano e passou a desenvolver ações preventivas. O mesmo aconteceu em outros municípios. As chuvas que caíram recentemente sobre a região do Vale do Itajaí mostraram a mu­­dança de comportamento.

No mês passado, em alguns municípios foi registrada em 24 horas a precipitação esperada para setembro inteiro. Por causa disso, famílias chegaram a ser re­­tiradas preventivamente de suas casas no Morro do Baú e foram feitos sobrevoos para analisar se havia rachaduras nos morros; geólogos passaram a avaliar o risco de deslizamento em Blu­menau; em Itajaí foram montados abrigos e atendidas 1,5 mil pessoas; e em Gaspar foram emitidos alertas à população. Mas ainda há muito a ser feito.

Na espera

Gaspar, por exemplo, não tem um plano de contingência, que prevê como se deve agir em caso de eventos climáticos adversos. A coordenadora Mari Inez Tes­­toni Theiss diz que o plano está começando a ser feito. Também se está tentando colocar em prática núcleos equipados da Defesa Civil nos bairros, junto à comunidade.

A Defesa Civil de Itajaí, que ficou mais atuante em abril, pretende adotar a mesma medida. Quer cadastrar pessoas que atuariam como voluntárias em caso de enchente, seja emprestando um caminhão para mudança ou ajudando na organização dos abrigos. Antes disso, o órgão precisa terminar de mapear as áreas de risco, contratar mais funcionários e encerrar os atendimentos ainda por problemas da enchente de 2008.

Segundo o gerente de operações, Laerte Antônio Lamim, de Itajaí, poucas cidades têm Defesa Civil atuantes. Ele está há dois meses no órgão e diz que só aceitou porque o cargo era técnico. "Se fosse cargo político, eu não queria porque sei que isso não funciona." Lamim explica que antigamente os trabalhos, quando existiam, não tinham continuidade na troca de prefeitos.

Preparo

Mesmo as Defesas Civis consideradas atuantes foram surpreendidas pela enxurrada do ano passado. O plano de contingência de Blume­nau, elaborado com base nas en­­chen­tes de 1983 e 1984, previa locais para a instalação de 34 abrigos. Em novembro de 2008, com deslizamentos de morros que mataram 21 pessoas na cidade, a necessidade foi para 65 abrigos.

O diretor do órgão, Telmo Duarte, afirma que deslizamentos de terra foram um evento no­­vo. Geólogos passaram a monitorar os morros e famílias que mo­­ram nesses locais são retiradas preventivamente. "A preocupação em função do que aconteceu em novembro é muito grande", afirma Duarte. "Come­ça a chover e nosso telefone não para. Os municípios próximos que ti­­nham sua Defesa Civil só no pa­­pel estão vendo que esse não é o caminho."

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