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Meio ambiente

Degradação do solo avança 16 vezes mais que recuperação

Seminário que acontecerá em setembro, em Foz do Iguaçu, irá apresentar técnicas de recuperação de áreas

Agricultura é o setor que degrada as áreas mais extensas de solo, de acordo com estudos | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Agricultura é o setor que degrada as áreas mais extensas de solo, de acordo com estudos (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

A degradação de solo no Brasil avança 16 vezes mais rápido do que os projetos para recuperação de áreas, segundo dados da Sociedade Brasileira de Recuperação de Áreas Degradadas (Sobrade). As atividades de maior impacto são a mineração e a urbanização, embora a agropecuária seja o setor campeão na extensão de áreas degradadas.

A situação é preocupante em um país onde há cerca de 200 milhões de hectares de solo degradado, dimensão equivalente à área do Paraná. Professor da UFPR e presidente da Sobrade, Maurício Balensiefer afirma que o setor mais atuante na recuperação de áreas hoje é o da mineração, em razão do rigor da lei.

Hoje, segundo Balensiefer, 43 % dos projetos para recuperar solos no Brasil foram feitos pelo setor da mineração e 21% pela agropecuária. Um total de 11% é voltado para áreas urbanas degradadas – como rios, por exemplo.

O Paraná tem um bom exemplo na recuperação de área destinada à mineração, em São Mateus do Sul, onde a Petrobras tem uma unidade de industrialização do xisto. A empresa começou o trabalho em 1972 com o plantio de três espécies exóticas: eucalipto, pínus e acácia negra. Com o tempo e o avanço das pesquisas, mudou o conceito e começou a recuperar a área degradada a partir do plantio de mudas nativas. Hoje, são produzidas 120 espécies diferentes que resultam em 180 mil mudas por ano. Entre as plantas nativas reinseridas estão: araucária, erva-mate, canelas (varias espécies), cedros, pessegueiro bravo e imbuia pinheiro, esta última ameaçada de extinção.

Superintendente do Ins­­tituto Brasileiro dos Re­­cursos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná, Jorge Callado reforça que toda a área explorada fora dos limites da sustentabilidade corre o risco de estar em estado de degradação. Ele afirma que o Paraná já apresentou um quadro mais crítico em relação à degradação. "Hoje, com as infrações ambientais e fiscalização, existem encaminhamentos para recuperação de muitas áreas."

Fiscalização

A fiscalização de áreas degradas cabe a órgãos ambientais municipais, estaduais e federais. A falta de pessoas nas equipes compromete o trabalho, apesar de os técnicos contarem com sistemas de geoprocessamento para identificar e mensurar a extensão dos danos causados. Os responsáveis por áreas degradadas que não foram recuperadas estão sujeitos a autos de infração e processo cível público. O trabalho de recuperação é estabelecido a partir de um projeto em que constam critérios e prazos a serem cumpridos. As áreas podem ser recuperadas por via natural ou pela intervenção humana. Quando há um acentuado grau de degradação é preciso fazer plantio de espécies vegetais e correções.

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