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Delegados da PF vão investigar desaparecimento de cacique no MS

A orientação é para que o caso seja esclarecido o mais rápido possível, por isso várias equipes estão em diligências para encontrar o cacique ou o corpo dele

Diante da repercussão do caso, a Polícia Federal designou três delegados para investigar o desaparecimento do cacique Nísio Gomes, de 59 anos. O líder indígena teria sido morto na última sexta-feira (18) durante ataque ao acampamento Guaviry, em Amambaí, sul do estado, na fronteira com o Paraguai. O ataque é atribuído a um grupo de aproximadamente 40 pistoleiros, que teriam chegado em várias caminhonetes atirando e mandado todos se deitarem

Na manhã desta segunda-feira (21), o superintendente regional da PF, Edgar Marcon, segue para o local do conflito para acompanhar os trabalhos de investigação. A orientação é para que o caso seja esclarecido o mais rápido possível, por isso várias equipes estão em diligências para encontrar o cacique ou o corpo dele.

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), índios das aldeias da região estão se deslocando para o acampamento para aguardar o corpo do cacique, para que seja enterrado conforme a tradição indígena. O Cimi afirma ainda que existe risco de novo ataque dos pistoleiros, pois no final da tarde de sábado (19) vários caminhonetes interceptaram os dois ônibus que estavam transportando cerca de 70 índios das aldeias de Amambaí que estavam se deslocando para o acampamento.

De acordo com o Cimi, a intimidação só não se confirmou porque os pistoleiros ficaram com receio, já que há várias equipes da polícia naregião. Além da PF, a Força Nacional também está na área do conflito.

Rezadores das aldeias dos índios guarani-caiuá de Mato Grosso do Sul estão reunidos desde o fim de semana no acampamento Guaviry para pedir ajuda aos espíritos para localizar o corpo do cacique. Segundo o indígena Tonico Benitez, durante uma cerimônia tradicional, os rezadores receberam dos espíritos que Nísio Gomes a mensagem de que ele já se "despreendeu", ou seja, estaria morto.

Por isso, agora eles realizam cerimônias para pedir ajuda espiritual para localizar o corpo do cacique. Ao mesmo tempo, os cerca de 150 índios que estão no acampamento iniciaram o ritual de resistência, pintando os rostos e passando a andar sempre com as bordunas, pedaços de madeira retirada da mata, usadas como armas de defesa.

Quando os guarani-caiuá montaram o acampamento Guaviry, eram cerca de 60 pessoas. O filho do cacique Nísio, Valmir Cabreira, conta que o pai foi morto com tiros de borracha calibre 12 na cabeça (que chegou a furar o boné que o cacique usava), pescoço, peito, braço e perna. O corpo teria sido arrastado e colocado dentro de uma das caminhonetes. Os índios afirmam ainda, que os pistoleiros sequestraram dois adolescentes de 12 anos e uma criança de cinco anos.

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