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Justiça

Depois de 13 anos do crime, começa julgamento de acusados de matar trabalhadores do MST

Mortes ocorreram em uma área de ocupação no Sudoeste do Paraná. Júri já foi cancelado oito vezes desde que o Ministério Público fez a acusação

O julgamento dos acusados de matar dois trabalhadores rurais que seriam ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) começou na manhã desta terça-feira (14), 13 anos depois de o crime ter ocorrido. Antoninho Valdecir Somensi e Jorge Dobeski da Silva são acusados de matar Vanderlei das Neves, 16 anos, e José Alves dos Santos, de 34 anos, no dia 16 de janeiro de 1997, em Rio Bonito do Iguaçu, na região Sudoeste do Paraná.

O júri ocorre no Fórum de Laranjeiras do Sul, no Oeste do estado. O plenário está lotado, com muitas pessoas ligadas ao MST e familiares acompanhando a audiência. Pela manhã, devem ser ouvidas as testemunhas de acusação. Entre elas está José das Neves, pai de Vanderlei, que estava com o filho no dia do crime. A previsão é de que a audiência acabe ainda nesta terça-feira.

O júri já havia sido cancelado e adiado por oito vezes.

Crime

Vanderlei das Neves e José Alves dos Santos foram mortos dia 16 de janeiro de 1997 na fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu. A área, que abriga um assentamento do MST, pertencia à empresa Giacometi Marodin, atual Araupel. Além dos dois mortos, quatro sem-terra ficaram feridos por disparos de arma de fogo. As mortes ocorreram nove meses após a ocupação da área por três mil famílias.

De acordo com a organização não governamental paranaense, Terra de Direitos, os assassinatos ocorreram no mesmo dia em que o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, assinou o decreto de desapropriação de pouco mais de 16 mil dos 87 mil hectares da fazenda. Hoje, grande da área foi retomada pela União em ações judiciais que reconheceram irregularidades nos registros imobiliários, e foram transformados em assentamentos rurais.

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