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Escolas

Depredação de escolas custa R$ 28 milhões

Maior parte do orçamento para obras de reparo é gasta com vandalismo, às vezes praticado pelos próprios alunos

Entre os pichadores da escola Algacyr Munhoz Maeder havia um aluno | Priscila Forone/Gazeta do Povo
Entre os pichadores da escola Algacyr Munhoz Maeder havia um aluno (Foto: Priscila Forone/Gazeta do Povo)

Uma noite de baderna e vandalismo, com tintas usadas para pichar uma escola inteira. O Colégio Estadual Professor Algacyr Munhoz Maeder, no Bairro Alto, em Curitiba, foi depredado na madrugada do dia 10 de julho. Três adolescentes, dentre eles um aluno da própria escola, foram identificados como os autores do crime. Como punição, os três jovens tiveram de comprar tintas e pintar novamente toda a escola. "Só gastamos dinheiro, só deu prejuízo", reconhece o aluno que praticou as pichações. Em todo o Paraná, no ano de 2008, o governo gastou R$ 28 milhões em pequenos reparos, a maior parte causada por depredação – cerca de 1% do orçamento da educação básica para 2008. "É muito dinheiro", define a diretora de administração escolar da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Ana Lúcia Albuquerque Schulhan.

O aluno da escola Munhoz Mae­­der –que tem 17 anos e não será identificado pela reportagem, e os dois amigos – tiveram de tirar di­­nheiro do bolso para consertar os es­­tragos que causaram. A escola ti­­nha sido pintada por um mutirão feito pelos funcionários e, na madrugada do dia 10, foi invadida e pichada. No retorno das fé­­rias, na quarta-feira passada, os 1,5 mil alunos viram todas as paredes pintadas e nenhum sinal de pichação.

Demonstrando arrependimento e vergonha, o aluno de 17 anos garantiu que não fará novas pichações na escola. As tintas para a pintura do colégio foram parceladas, e todo mês os três jovens terão de pagar a dívida. "No mesmo dia eu assumi o erro. Estou arrependido do que fiz. Você tem de errar para aprender, já parei com essas coisas", garante o adolescente.

A situação de vandalismo, no entanto, não é exclusividade da escola do Bairro Alto. A maior parte das 2.173 escolas estaduais do Paraná sofre ou já teve algum caso de vandalismo. No Colégio Esta­­dual Marli Queiroz de Azevedo, localizado na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), alguns alunos usaram carteiras e mesas para escorregar pelas escadas e corredores. Os atos de vandalismo foram filmados pelos próprios estudantes e as imagens foram colocadas na internet.

A diretora Yasodara Hayashi, do colégio Algacyr Munhoz Maeder, afirma que os alunos mais velhos estão mais conscientizados sobre os prejuízos que o vandalismo traz para o colégio. "Ainda temos de supervisionar os alunos da tarde, da 5ª à 8ª séries. Alguns desses jovens querem aparecer para os outros estudantes, confrontam professores e têm dificuldades em aceitar regras", explica.

Para Ana Lúcia, o problema do vandalismo também envolve a educação que as crianças recebem em casa. "Há uma acomodação dos pais, achando que a escola vai resolver tudo", explica Ana Lúcia. "Alguns poucos alunos desrespeitam o direito de muitos. A solução é a educação e grande parte dela é de responsabilidade da família. A maneira como o estudante vive em casa se reflete no comportamento escolar. O segundo ponto é aplicar rigor na escola", diz.

A diretora de administração afirma que, quando são comprados móveis para as escolas, como cadeiras e carteiras, é feita uma previsão de quanto tempo os mobiliários vão durar. "Se uma carteira que deveria durar seis anos é usada de forma inadequada, riscada ou lascada já no primeiro dia, teremos de gastar mais dinheiro comprando novamente. É um gasto duplo", afirma.

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